quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008



Era uma vez um desejo adormecido que foi acordado. Mas muito precavido continuava a se esconder. Ele sempre foi submisso aos receios, medos, preconceitos, a razão. Um dia saiu para brincar o carnaval e foi desmascarado. Surrupiaram a máscara do desejo intocável. O medo reclamava da imprudência de sair por aí, se expondo, se arriscando. E o desejo tentava se esconder.

O folião afoito arriscou falar o que sentia. Era tudo que o desejo sentia e queria ouvir. Mas o desejo só sabe falar com as palavras do medo. E repetiu o que sempre ouviu quando estava no seu esconderijo. O folião recuou. Achou que tinha magoado. Respeitou o medo do desejo, pois o seu desejo também sofre de muitos medos. Entendeu. Silenciou. Este silêncio perturbou o desejo, que ficou furioso de ser submisso ao medo. Se rebelou, arriscou, ousou, e se lançou.
Sempre que o desejo supera o medo, o corpo agradece com um calor diferente, as carnes aplaudem a libertação, todos os poros sorriem. Então, os desejos fizeram um pacto calando o medo, com um beijo.

Se o medo comanda o desejo, e se o desejo sempre briga com o medo, eles sabem da limitação e do poder um do outro. Começou uma nova briga. O beijo incentivou o desejo a querer se libertar, de querer mais e mais, com isso aumentou o poder do medo que tem como aliado a razão, os fatos, os antecedentes criminais do desejo.




12 comentários:

Layla Lauar disse...

Por medo de complicar um quadro de L.E.R, crise aguda, tenho estaddo mais silenciosa e não muito presente nos comentários, embora fosse este o meu desejo. Desculpe-me por isso. Li os dois últimos posts, gosttei por demais,especialmente deste último,achei lindo e original. Parabéns.

beijos

sergio disse...

Bom Dia Paula...quanta criatividade em falar sobre desejos e medos. Ao mesmo tempo que temos desejos temos medo do novo, de mudanças. Não devemos ser assim, arriscar faz parte da vida e "quem não arrisca, não petisca". Abraço, bj e ótima quarta!

sergio disse...

Paulinha...tem umas perguntinhas para vc responder lá no meu blog, vai buscá-las...ok!

Alisson da Hora disse...

Sobre o medo, esse poema do Rilke:

- Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.

Pedro disse...

Desejar. Esse é O verbo.

Paulo Palavra disse...

O que seria de nossas vidas se não fosse o desejo?
Se não desejássemos, nada teríamos... Desejar, como disse, o Pedro aí em cima, é O verbo!
Deseje sempre, deseje tudo... só não vale desejar o mal!

Chuvinha disse...

É através do medo que conhecemos a coragem...Nenhum de nossos sentimentos é inútil. Aprendemos com todos eles.

Edson Marques disse...

Paula,

O Desejo sempre vence - nem que seja na hora da Morte!

Mas vence!

Portanto, vamos antecipar as coisas e ajudá-lo a vencer logo. Vamos dar-lhe a Coragem sempre necessária para que ele deixe de ser submisso.


Aquele comentário que um dia escrevi aqui no teu blog (sobre o K2) hoje virou post no blog Mude.

Se puder, leia.


Abraços, flores, estrelas..

ALAVANCA disse...

Concordo com a Chuvinha todos nossos sentimentos são evolutivos.

Anônimo disse...

Concordo com a Chuvinha todos nossos sentimentos são evolutivos.

wilson rezende

Milady disse...

Há necessidade de manter um certo equilíbrio, de forma a sobrevivermos, certas batalhas vence o medo, outras o desejo. No fim, a felicidade é que deve vencer a guerra!

beijos

Codinome Beija-Flor disse...

Medo é pior que a morte, porque quando sentimos medo, já estamos recuzando a própria vida.
Como diz sempre o Edson Marques: VIVA.
Bjos