segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Caminhos





Era tão chuva quanto sol. Era brisa e vendaval. Sabia o caminho que trilhava, mesmo quando pegava um atalho e se perdia, sabia os rumos e os prumos dos pés.

Podia sentir o cheiro de mato crescendo na estrada. Podia sentir o cheiro de se recolher, porque as nuvens anunciavam um temporal.

Sabia seguir a estrada principal. Gostava de andar pelas estradas vicinais, aquelas viscerais, nessas estradas as belezas eram menos exploradas, existiam o cheiro de mistério e de novo. E sempre descobria novos caminhos.

domingo, 27 de fevereiro de 2011






Aquele espaço é céu, é mar. É amplo, horizonte largo, sem fim. É profundo. Sou a gaivota. Tanto voo, acrobacias no ar, na leveza do ser, me alimentando de brisa. Ou mergulho, me resgatando em lembranças.


sábado, 26 de fevereiro de 2011

Palavras voam
Tem asas que tocam a alma
Tem brisa que seca os olhos que choram
Tem calor que aquece o coração
Tem a palma da mão onde senta a alma e balança e acalanta

Palavras
Provocam o adormecido
São guardadas em lugares que são quase um coração
No recanto da alma
Renascendo luz nos olhos

Palavras
São pedrinhas coloridas no fundo do riacho mente
Que não deixam dormir
São ligações imaginárias
São arco-íris escorregando no sentir

Ah, palavras, as suas, se tornaram amigas das minhas
Brincam de escorregar - entram pelos olhos e caem bem dentro de mim
E as minhas saem pulando..assim...assim...
Não são bonitas feito as suas
Mas brincando feito crianças
As suas dão as mãos as minhas

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011






Chove, final de tarde, um pássaro canta. Não sei qual é o pássaro que ainda canta num dia frio, chuvoso, onde o sol se recolheu mais cedo. Meus dedos estão com as pontas frias, o meu coração gelou de repente, está pálido. Os meus olhos nublaram. Procuro enraizar os pés da alma para que o vento frio só a balance, sem arrancá-la do solo fértil. Os pássaros que cantam nas minhas veias, mesmo recolhidos nesta hora cinza, cantam, cantam sempre. Apenas fiquei surda por um momento, só por um momento, enquanto nevava no coração. Vou desenhando com minha palavras árvores frondosas, para não me faltarem pássaros.

21.02.2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011



Quanto de nós está em cada texto, em cada conto, em cada poesia, que escrevemos? Numa palavra que se repete sem que a gente mesmo se dê conta. Numa frase, num capítulo. Quanto de nós transborda deste pote que somos? Quantos nós sobem a superfície se derramando de nós? Sem perceber nos derramamos, vozes vem a superfície, e aparecem nos escritos.


31.01.11

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011



Vi estrelas e lua. Era um céu de segunda-feira. Você ver a estrela? Não era lua cheia, talvez por isso vi melhor as estrelas, o brilho dela, da lua, não era tão intenso. Nunca tinha conseguido fotografar uma estrela. O foco nunca aproximava o suficiente. O que digo é real.

Um dia, vi a lua bem de perto,  bem de perto mesmo, consegui ver até as rugas na testa, e ouvir a voz. Mas neste dia eu não fotografei a lua, em respeito, ela não sabia que era observada. O homem pisou na lua. Naquele dia abracei a lua, e eu estava nervosa. As luas brilham, e esta que abracei, tem luz própria.

O foco se altera quando se esta perto da lua, e ao aproximar demais desfoca os sentidos. Era preciso fechar os olhos para sentir melhor a emoção. Era preciso tirar os olhos da lua para escutar as palavras. Havia músicas, o céu estava estrelado, precisava me sentir, e acreditar que estava vivendo aquele momento.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011


Muitas vezes na vida elegemos alguém ou uma situação como nosso foco de atenção. Com isso supervalorizamos, dando uma dimensão para a dor ou para a alegria, muito além do que a situação ou pessoa merece. Principalmente quando nos faz sofrer, porque o outro não retribui nos aspectos que gostaríamos. Obviamente, que numa situação assim, de supervalorização, não nos damos conta de todo o processo que nos acomete, e de outros fatores inconscientes que estão agregados àquela situação.

É feito olhar o céu em noite de lua cheia, com o céu sem nuvens. Geralmente olhamos, nos extasiamos, e focamos toda a nossa atenção e energia para a grandeza e beleza da lua, sem percebermos, sem nos darmos conta, e sem sentirmos a beleza das estrelas. E são muitas estrelas.  Estão ali, no céu azul e limpo, brilhando, dançando para nós, um espetáculo belíssimo, mas não vemos, porque focamos na lua.

É feito a vida.  Sempre tem, entre as muitas estrelas, uma que se mostra para a gente, uma que quer ser vista e sentida, uma que para ela, nós somos a lua. Mas nós não vemos. Porque focamos a atenção e o sentir na lua.

17.02.11


sábado, 19 de fevereiro de 2011


Folheava as palavras, em suas mãos fica um cheiro gostoso de lavanda. Em seus olhos as meninas brincavam. Ouvia sons. Via imagens. Sonhou. Imaginou. Ficou inquieta diante das belezas das palavras. E prometeu-se, ouvi-las e senti-las ao vivo.

Ninguém duvide do poder dos sonhos. Principalmente quando eles nascem acompanhados com imagens. Então, seguiu os passos do coração, estrada longa e bonita, uma ponte. A ponte. A que ligava o sonho à realidade. Atravessou ansiosa, sonhos são feito castelos de

areia a beira mar, podem desmoronar a qualquer momento. Mas seguia os passos da emoção.

Chegou. Agora tinha as palavras com som. Tinha a imagem. Podia ouvir o coração ouvindo as palavras. Emoção. Muita emoção. Tanta emoção, que fechou os olhos para sentir melhor os sons das palavras, mesmo que perdesse algumas imagens. O sonho se transformou em realidade. E na realidade, o sonho dos sons das palavras tocando o coração.


16.02.11

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011



Se tem uma coisa que gosto é escrever sem pensar. E gosto muito de visitá-lo e as palavras metidas que só elas, feito criança, com toda a espontaneidade, vão subindo por mim e caindo das pontas dos dedos. Caindo mesmo, sem nem estarem preocupadas em machucar a gramática.

Vou escrevendo, me emocionando, e sorrindo. Aquele sorriso de quem sente cócegas. É assim, as palavras vão saindo de mim, e sai sorrisos.

Algumas vezes saem lágrimas, e quando choro, fico já pensando onde foi que suas palavras anzóis me pescaram.

Amor? Nem se preocupe, que não é amor. Se eu amasse você, eu não escreveria, já descobri isso.

O amor em mim dá um bloqueio nas palavras. Fico tentando juntar palavras, fazer rima, arrumar combinação do sentir com alguma palavra, e elas, as palavras rebeldes, vão embora.
Gosto é desta destrambelhação das palavras. Por isso deixei de fazer a oficina literária. Tinha que pensar para escrever, tinha que corrigir, tinha que reescrever. E isso se torna um gestação duradoura, uma tortura. Torna o escrever dolorido. Gosto mesmo é do nascimento das palavras lá na fonte, no rio das suas emoções. Então minhas palavras nascem bebendo da fonte do rio.


Texto 22.06.09
Foto: Ilha Bela - SP - 09

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011




Quando a alma se fez presente feito uma tocha acesa, pude perceber a vida. Inferi que ali a voz do passado foi quem falou. Mas eu queria ter certeza. Queria pegar na mão da alma viva e caminhar pelas rotas da mente. Ouvir os acordes que a alma escutava enquanto dançava solta. Era vida que tinha ali, de repente, surgiu ao som dos olhos brilhantes. Fiquei estática diante da transfiguração. Era gente, mas era luz. Era suor, mas era o sangue pulsando lembranças. Que lembranças? Pude sentir nas palavras o gosto bom de saudade. De momentos saborosos. Será?



Foto - Venda Nova do Imigrante - ES - 22.03.10
Texto - 25.03.10

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Plantador de emoções




A noite planta emoções, terra adubada pelos crepúsculos e respingos de estrelas, cuidadas pela luz da lua.

Ela acorda, faz alongamento das pernas, da mente, do espírito. Anima-se ao pensar no jardim. Ansiosa espera encontrar novas emoções florescidas. O ritmo do coração é espora em lombo de cavalo. Respira profundo, engole poeira. Fecha os olhos antes de colher, para sentir-se. Abre os olhos, abre a alma para a emoção entrar, percorrer o corpo descendo e subindo, para assim sentir o que ficou plantado dentro dela.

Na esperança que o ar quente que sai junto com os seus pensamentos e sentimentos seja a estufa apropriada para germinar novas emoções a serem plantadas a noite.


06.08.09




Que as ondas de admiração
Arrebentem no recife
Para não invadir além mar

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011




A desconstrução da expressão da poética do sentir,
para não invadir o ser da fonte inspiradora.



foto - Brasília

domingo, 13 de fevereiro de 2011




O pássaro voa lá fora
Brincando entre nuvens e raios de sol
Estou voando aqui dentro
O pensamento me dá asas
Me leva leve pelos ares
Atravesso o oceano
Pisando leve em suas águas

Vou, voo
Tenho asas feitos os pássaros
Pode ser inverno
Vejo flores, é primavera
Nuvens nubladas no céu
Sol acarinhando meu ser

Olho o Oceano Atlântico
Passeio pelo Rio Douro
É o pensamento de asas
Fui tão longe
Barca d’Alva, fui sem barca
Apenas embarco na emoção

Vinhas, pessegueiros, pés no chão
O rio a fazer manobras nas minhas margens
O pensamento me leva e não me traz
Respiro fundo
Salto da esteira rolante
Piso firme no solo verde e amarelo


Foto - Rio Douro - Portugal - 10

sábado, 12 de fevereiro de 2011





Existem muitas formas de amar. Deixa eu te amar como se nós dois tivéssemos oito anos? Amar de brincar de correr. Amar de dividir o jogo colorido de peças de montar. Amar de se esconder, de cabra cega, de queimado, de jogo de bola, de quebra-cabeça. Você monta tão bem a paisagem da vida com as peças do quebra-cabeça dos dias.

Sabe, eu queria poder te dar as mãos e correr lá naquelas montanhas, que são mais conhecidas tuas do que minha, porque elas te viram criança. E eu queria me sentir criança de novo, correndo livre, cabelos ao vento, e ouvir tuas histórias de criança. Porque você me faz entrar em contato com minha criança.

Deixa eu sonhar que podemos deitar na relva, lado a lado, olhando as nuvens brincarem no céu, como se fossemos duas crianças, sem nenhuma maldade, ou medo....e de repente ouvir a tua voz dizer, vamos, corre para pegar aquela bolinha de sabão....

Se a vida é feita de ilusão, me deixa sonhar, e pensar que eu e você já fomos crianças. Me deixa sonhar neste mundo de adultos, nesta ilusão sem maldade, sem se sentir invadido, não estoura a bolinha de sabão....Sopra ela, a vida, deixa os dias correrem leve feito a bolinha de sabão....

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pensei em dizer-te

Fecha os olhos
Respira calmamente
Entra em contato com a tua respiração
Com o teu corpo
Com a tua emoção
A tua sensibilidade é do tamanho da tua pele

Respira, olhos fechados
Mente e alma abertas
Sente a brisa do meu olhar te olhando
Sente o perfume dos meus dedos te acariciando
Sente o afago da minha respiração te cheirando
Sente a minha alma te abraçando

Na imaginação posso estar contigo
Aconchegando os teus desassossegos
Embalando as tuas ideias
Colocando junto ao peito os teus sonhos
Alimentando os teus devaneios

Na imaginação
Se fechares os olhos
E se entregar à brisa
Sentirás teu corpo pulsando
Sentindo a ternura de ser tocado
Sentirás que a imaginação
É vento, é vendaval, é tornado, é brisa
É a única  liberdade de sermos

Agora sou brisa
Te acariciando
Por dentro e por fora
Sou a brisa
Que solta a tua imaginação
O sopro do beijo na tua sensibilidade
Sente

Fecha-os olhos
Na imensidão azul da tua alma
Mora todos os tipos de vento
Solta a imaginação
A única liberdade de sermos

22.07.10

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Uma sugestão: quem tiver tempo de ler as frases em voz alta,  pausadamente, sentindo. Para mim, teve um efeito diferente.





É tão difícil o barco se afastar do cais. Porque o cais lhe devolve o mar. E só estando preso a este encantamento de cais, se sente solto, e pode adentrar a profundeza do oceano, e pode beirar o horizonte, sentindo as tonalidades dos céus e viajar pela imaginação.

O cais é de uma beleza tão profunda, que confunde-se com a imensidão do mar. O cais é quem dá corda para o barco navegar. O barco viaja, solto na emoção, na admiração. É do cais a bússola, o roteiro desta viagem. E o barco vai, vai, vai....navegando, sentindo os arrepios dos afogamentos do casco, sentindo a brisa tocar-lhe a vela, navega outros mares, mas retorna sempre ao cais. Ao cais que lhe devolve o mar.

O cais, o barco, o mar....mergulhos em águas de belezas extremas. O cais vai se permitindo viajar junto, nas cordas que liga o barco, no balançar do mar, neste olhar de silêncio que interage, nos voos das garsas.....




Texto: 10.02.11
Fotos: Guarapari-ES-2010

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011



Viajava e a cada visita na horta se enchia de palavras. Colhia e escrevia. Perfumava-se de inquietudes e dava uns passos a frente.  Foi deixando nas gavetas das cômodas as memórias rabiscadas em toalhas de vento. Começou uma nova safra, pensou tratar-se de uma colheita de sete dias, entre chuva e sol, dia e noite, um só semeador, híbrido de outros. A colheita foi interrompida, os grãos plantados nela não floresceram. Ela não germinou, não cresceu, não floriu. Não foi feita a sua colheita. A mais esperada. Depois desse período, na terra prometida, o solo tornou-se árido. As chuvas ficaram escassas, o sol tornou-se ausente. A andarilha sentiu ressecar os pés.


Texto: 12.09.09
Foto: Portugal-10

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Momento raro....

Garsas na praia de Boa Viagem


06.02.11

domingo, 6 de fevereiro de 2011



Ler você é feito dançar ligeiro, sem dar tempo de cruzar a perna e pisar no próprio pé. Ler você é feito dançar uma música bonita, querendo curtir a melodia e os sentimentos e o parceiro ficar falando sem parar. Porque ler você é escutar vozes que vem lá do sotão da mente. Ler você é feito dançar valsa, rodopiando no salão com um bom dançarino. Porque você sabe nos conduzir entre os cenários e o perfil dos personagens.

Ler você, é claro, é muito mais do que se possa ficar fazendo paralelos. Ler você é um baile, com uma boa orquestra, um excelente dançarino, um chão bem encerado. A gente dança e não se cansa, fecha os olhos e quer mais. Quer sentir os dedos da emoção acariciando a alma e beijando a mente.



22.01.11

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Nuvens


No Brasil
 ou em Portugal.
Ao amanhecer

no final da tarde

ou a noite.

Esparsas

ou carregadas.
Vistas de cima
ou de baixo.



Nuvens...nuvens...nuvens....
Um cachorrinho branco e felpudo
Um urso
Um porco
Um dragão
Um carneirinho
Uma mulher ou um homem sensual

Metafóricamente
Você, nuvem,
Eu, nuvem
Ele, nuvem

Nuvem que vem e que passa
Que mostra o céu
Um olhar para cima

Nuvem que lhe tira o chão
Que lhe engole
Que lhe desaba
Que lhe atordoa
Que lhe inspira

Nuvens e o que está dentro de você
A ingenuidade, a malícia
O tempo
A experiência
A inocência

Nuvens que estão no céu
Gotículas de água condensadas
Precipitadas
Apressadas
Lentas

Nuvens
Uma visão projetada
Em cores e formas
O que está dentro e o que está fora
Metafóricamente
Eu, ou você

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Deito em mim tuas palavras



Deito em mim tuas palavras
Tomadas em goles largos
Ruminadas na madrugada

Passo nas vísceras o cheiro de cânfora
Delas inaladas
Sinto queimar até a última gota de mim
Calo no peito o ardor que me sobe
Degluto átomos do sangue que jorra

No silêncio catastrófico
Forma-se um redemoinho
Nas entranhas do ser

Deito em mim tuas palavras
Fico prenha de ti
Vou parindo palavras
Na vastidão de mim



17.08.10



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011



Olha, avalia, analisa, respira profundo, sente. Observa o texto como se fosse um médico legista observando um corpo recém chegado para autópsia. Sabe que o trabalho não é fácil, é sempre complexo, a leitura daquele corpo será minuciosa. Naquele corpo inerte, tem vida. Vibram histórias no sangue coagulado, nas vísceras expostas. Aquele corpo cheio de veias, artérias e órgãos, tem vida, mesmo que o coração aparente não pulsar. Mesmo numa pedra fria, é um corpo. A voz é outra. O ritmo é próprio. O enredo é preciso dissecar, com todo cuidado. São tantos órgãos a analisar, para descobrir o desfecho do enredo, como descobrir a causa mortis.
Há de se observar o todo, como quem observa os cortes, os machucados, as marcas roxas, o que está aparente e assim observar geral. Do jeito que a causa mortis pode estar nos órgãos internos, é nas entrelinhas que gosta de se deter.
Porque sente quente e vibrante aquele corpo de tantas linhas digitais. Pele longa que o encobre. Sangue coagulado que tenta escorrer das veias dissecadas.


31.01.11

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Aviso de utilidade bloguista: Isto não é amor.



Olhar as flores assim, quando pensei que fevereiro nasceria na seca. Sem as imagens e sem sons. Oh, que felicidade me toma, essas flores, essas imagens, essas palavras. Meus orvalhados olhos atentamente escutam o que se passa no fluxo do meu sangue. Estou feliz de fevereiro, mesmo demorando a amanhecer, tenha trazido flores nos bocais dos meus estômagos, e nas luzes dos botões dos meus olhos.

Por que o choro e o sorriso se confundem muitas vezes? Sai tudo pelos mesmos olhos? Feito menino em fila de refeitório, um empurrando o outro. Quem sabe você me responda um dia, de forma indireta. Me responda o que já sei. É quando a emoção alumia um cantinho escuro. É quando os olhos encontram a beleza que nos embeleza. É quando, é quando...nas minhas brincadeiras de sentir falta de algo que encontro, eu me abraço, com o muito que escorre.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011



Chegou fevereiro. Será que vai acabar a música que meu coração escuta? Ou os batuques vão ficar mais espassos, mais lentos. Sem samba no coração, não da pé. Acabou as férias? Compromissos, atividades, agenda superlotada, gente se atropelando nas faixas de pedestres, engarrafamentos nas esquinas, semáforos enlouquecidos, carros buzinando. E você, vai deixar meu coração feito um surdo furado? Batendo oco dentro deste velho peito. Nem parece, mas estou preocupada mesmo com os sons do seu coração, ele precisa de música todos os dias, para fazer a orquestra de gente não esmorecer, não desistir. Você precisa encontrar o tom da melodia da vida, para dançar e fazer dançar. Percebeu? Você precisa ouvir o seu coração, as suas vozes, soltá-las, e fazer dançar. Porque a música esta dentro de você. Está dentro de mim. Mas se você dança, eu danço. Tão simples assim. Não deixe fevereiro chegar com a mão de capitão gancho, prendendo você na roda viva. Arrume um jeitinho, um jeitinho brasileiro e malandro, um jeitinho de colocar os batuques na rua, burle a rotina, engane os atropelamentos do dia, e venha tocando as cordas do meu coração, neste bandolim de vozes afinadas.





Acordei e senti a alma se encolhendo dentro de mim. Foi se acocorando num cantinho, bem encolhida, parecia um feto. Tive receio do dia que os personagens forem embora. E se não vier outros. E se você não quiser dar voz aos personagens. E a alma, feito uma menina, chupava dedo encolhida no canto da parede do peito.

Lembranças, vozes da infância : está sorrindo tanto é sinal de choro, correndo assim vai terminar caindo. A alma deve ter se lembrado disso. Já que está correndo muito solta. Ficou com medo de tropeçar, ou do céu por onde voa terminar. O céu sempre termina antes do horizonte.

Respirar profundo, às vezes, faz a alma se espreguiçar, e sair do cantinho escuro que a protege dos medos e sustos. E tentar ver horizonte até na parede branca.


28.01.2011