terça-feira, 31 de maio de 2011

E lá se foi o mês de maio.....


O meu tempo futuro tem passado por mim numa velocidade estúpida. Olho para trás e ele continua correndo. Sem muito brilho. É um futuro tão rápido que ainda não consigo registrá-lo como passado. E nem sei onde ficou guardado o presente do meu futuro que passou.

Olho para trás e os dias do meu futuro estão se atropelando, matando sonhos, num tempo que ainda não é um tempo de virar história. Sem paixão, o que passa fica sem registro. E nem é presente e nem vira passado.




(um momento de reflexão)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fazer a vida dançar



Era preciso mudar a trilha sonora da vida. “Quem eu quero não me quer, quem me quer mandei embora”. Era preciso colocar algumas ilusões e ausências nos seus devidos compassos. Aprontou-se para a noite, sem vestir-se de oncinha – pronta para o ataque ou para o abate, depende do ponto de vista, nem de vermelho sensual. Vestiu-se de floresta amazônica, sem dar-se conta do traje camuflado. Era a própria exuberância da mata atlântica, na quantidade de folhagens e tonalidades de verde.
Uma sexta-feira. Além das duas amigas que compartilhavam ideias e desejos, Samaryna e suas personagens estiveram presente durante toda a noite, em cada detalhe dos passos no salão, nos movimentos mais sensuais, no permitir-se.
Não saiu para o abate, nem para caçar. Saiu para colocar os passos da vida no salão do real, afinando música e vida, abrindo-se ao novo, nesta tentativa de compor uma nova trilha sonora para embalar os dias da vida.
No salão, foi percebendo que a mão que pousava em sua mão, com toques suaves, deslizando entre seus dedos, eram toques da leveza das borboletas. E que o ritmo dos corpos, com passos perfeitos, era a dança da brisa nas folhagens. Lembrou-se que estava vestida do verde da natureza, e só sentindo a natureza entregar-se nesta dança é que podia dar novos sons e passos a sua vida.


(Texto e momento influenciados e inspirados pelas leituras dos textos de Samaryna (blog Eder).)

sábado, 28 de maio de 2011





Você não voltou. Não me contou da sua ida, não disse adeus, nem até logo.  Deixou no ar uma possível volta. Gostaria de saber de você, dos seus dias, dos seus sonhos. Mas você silencia a expressão da melhor voz, a voz do pulsar da alma, da sua, da minha. Querendo evitar pensar que você pode estar doente, ou não está bem, penso que você faz uma viagem interessante ou que você se entregou a Maria. A Maria da Conceição, a Maria Auxiliadora, a Maria do Carmo,....., a Maria. Imagino que você está nos braços dela, que você a ama com a infinita dedicação e delicadeza que se deve amar Maria, e que você está protegido, amparado,  bem e que vai  voltar fortalecido, integrado mente, corpo e espírito, para me suportar e me deixar caminhar nos teus caminhos, eu sou Maria Paula, apenas mais uma Maria que te admira e que sente a tua falta.



quarta-feira, 25 de maio de 2011

O trem e o olhar







O olhar segue o trilho
Perde-se no infinito do céu
A espera do trem

O trem insiste em não passar
Escuta-se o apito distante
A estação está abandonada

Segue o trem
Criando paisagens pelo caminho
Apitando suspiros de vida

Os trilhos em paralelas
Fazem curvas ao longo do tempo
O olhar espera
O trem não vem



(Não estou triste. Não é amor, nem paixão. São dois personagens, o trem e o olhar)


domingo, 22 de maio de 2011




Deixas o meu olhar náufrago
A minha emoção a deriva
Minha nau sem rumo

A bússola contida nos meus olhos
Desorienta-se na ausência do teu oceano

Traz um pouco de vento
Sopra tuas ondas de sentimentos
Na extensão do meu interior


A navegação é lenta
Sem as águas do teu mar


Tem blog que não estou conseguindo comentar.
O de Samaryna e o de Benno foram várias tentativas.


segunda-feira, 16 de maio de 2011



Vou soltando os pensamentos
Em rabiscos, pontilhados
Traçados sem fim

Enrosco a ponta do lápis
No fio dos pensamentos
Deixo ele caminhar livremente pelo papel

A emoção vai brincando
De esconde-esconde

O lápis solto desenha interrogações
Suspiros e sonhos
Faz nuvens no papel
Encaracola sentimentos
Desenhos abstratos






quinta-feira, 12 de maio de 2011





Dias de inverno.
Chuva inundando as cidades.
Um tempo cinza e frio.
Alívio.

Surgiram galhos brotando.
Um instante de primavera em meus olhos castanhos.
Um sopro verde no meu coração saudoso.
Sinal de vida.
Alívio.



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Me repito
As emoções se repetem
Os escritos dizem a mesma coisa, de forma diferente, em tempos diferentes
Achei este texto, escrito em 23.02.11 E vi que tem relação com o texto do post abaixo.



Existe uma demora em trocar a cortina da janela. Essa demora é real, a cortina antiga continua lá. No entanto, a minha ansiedade em ver uma nova cortina torna os dias mais longos e pesados. Há quem diga para se controlar a ansiedade, ter paciência, como forma de ser equilibrada. Já me equilibro demais. Por vezes já me equilibrei em arame farpado,eletrizado, em dia de temporal. Agora, só queria a cortina nova. Só isso.

Talvez este descontrole controlado da ansiedade me fez ir lá nas gavetas e arrumar todas as cortinas, colocando em ordem. Agora tenho as outras cortinas em ordem, numeradas, e vou tocando, olhando de novo, alinhavando o meu pensamento com as costuras das cortinas. Muitas vezes a gente olha e não vê. Olha e não sente. Por causa da ansiedade, por causa da emoção. Se a ansiedade, esta ânsia de ver a cortina, por vezes me descortina, é esta mesma ansiedade que me fez tomar a decisão de na tranqüilidade da noite, rever em ordem, calmamente, todas as outras cortinas.

terça-feira, 10 de maio de 2011




Quero me controlar. Devo me controlar. Aguardar o tempo certo. O tempo que brota poesia. Mas dá um formigamento nas entranhas do meu ser, porque não gosto de esperar, não sei esperar.
Respiro. Olho. Olho e me falta o ar, me falta paciência. E nada. Esperar. Esperar. Esperar. Me diz uma voz que tenta me controlar. Essa voz sempre tem razão.
Sigo por outros caminhos, mas nunca é a mesma paisagem. É inquietante a espera desse tempo que não depende de mim, nem é para mim, mas me serve, porque tem gotas de poesia, rios de poesia, um mundo de poesia. Esperar. Sim, estou esperando...




segunda-feira, 9 de maio de 2011



Maltrato o meu coração, a alma, os pensamentos, como quem amacia massa de pastel com rolo de madeira. Estico os sentimentos até doer, saudade, vontade, desejo, carinho, afeto, ternura...., me enrosco neles, ou eles em mim. Escuto Roberto Carlos, Chico Buarque, Antonio Zambujo...este último é daquelas paixões musicais inexplicáveis, ele canta parecendo que mastiga as palavras com calda de chocolate, saboreando cada frase, com um sorriso delicioso a escorrer na melodia. No meio da vastidão de sentimentos, alguns inexplicáveis, sinto-me feito um sobreiro sozinho nos campos alentejanos. São bonito os sentimentos. Mas é preciso podar, feito quem poda o sobreiro, para extrair dele matéria-prima. Podo os sentimentos, extraindo de mim sonhos vividos, sonhos não vividos, sonhos para serem vividos e sonhos e sentimentos para serem só sonhados.


foto: Alentejo-Portugal
Antonio Zambujo vai fazer show no  Rio de Janeiro,
em 25.05.2011
Bem que eu merecia estar lá.

sexta-feira, 6 de maio de 2011





Bordo a minha alma
Com linhas coloridas e laváveis
Só para os pensamento não pesarem tanto
E se renovarem

segunda-feira, 2 de maio de 2011



Lá vem maio chegando, não tão de mansinho. Mês das flores. Mês das noivas. Mês das mães. Mês de Maria. Mês de tantas coisas. O mês quinto do ano. Lá se vai abril dando adeus, se juntando a janeiro, fevereiro e março. Abrindo espaço para maio desfilar seus dias, todos incógnitos, não sabemos como eles, os dias, vão se apresentar, como nós vamos reagir aos dias de maio. Alegres ou tristes? Coloridos ou sem cores? Doces ou amargos? Silenciosos ou barulhentos? É maio, trinta e um dias.

Sou eu neste caminhar de dias. Os dias vão passando por mim feito os degraus da escada rolante, passando, passando. Tento pisar firme, mas sou levada, o tempo tem uma pressa diferente da minha. O tempo é feito criança em parque de diversão, não para se eu quero que pare, não se cansa de rolar sob os meus pés, sobre a minha cabeça.

Tudo gira. Tudo passa. Tudo acontece. Vou me equilibrando nesta escada rolante dos dias, do tempo. É maio. É mais um mês. Vivo a vida real e a ilusão, com sabores e cores.