sábado, 30 de julho de 2011




Você precisa voltar. Já está bom desta história de não contar nada. De ficar mudo. Já estamos caminhando rumo a agosto. Ou será que é agosto que vem ao nosso encontro? Sei lá, me atrapalhei. Você parou o tempo, aquele tempo onde eu brincava no mundo da fantasia e ilusão. Você deu uma freada brusca, e eu não gostei. Janeiro foi tão bom, você estava brincando nas letras e nas imagens, fazendo piruetas no ar feito avião da esquadrilha em sete de setembro. Mas de repente, você não quis mais  brincar com o tempo. O tempo caminhou com pés de pato em pedras escorregadias,  e já estamos quase em agosto. Está vendo como a estrada está árida? Fico aguardando o seu retorno, fico com gosto de quero mais se dissolvendo na boca, fico inquieta esperando. Volta, com gosto de ficar. Volta a tempo de fazer agosto não lembrar desgosto. Volta!



foto: Chapada dos Veadeiros - GO
texto: escrito em 16.07.11


Pesco sonhos
Para alimentar a vida





foto: Praia de Boa Viagem - Recife

sexta-feira, 29 de julho de 2011


Voltou! Desacreditei desta tão esperada volta, me pegou de supresa. Precisava desta volta para respirar os dias. E nas voltas que as voltas dão, nos vemos envoltos nas voltas. O bom é sentir a alegria, da volta, da possível continuação, deste entralece da alma que se expressa em alegria nos olhos, em alegria no coração.

Se um livro da bíblia diz que tudo é ilusão. É nesta ilusão que quero viver. Nesta ilusão que me leva por caminhos belos, o caminho da emoção, que envolve o dia, que me devolve a vontade de seguir. Espinhos e pedras existem pelo caminho. Mas existe sóis, luas, estrelas, mares, céus. Preciso seguir semeando sonhos e colhendo realidades. E você, me ajuda nesta semeadura de mim.

Ainda bem que voltou antes de agosto. Já era tempo. Verás que escrevi te chamando. Porque te esperava ansiosamente, só para me emocionar. Porque a vida, através de mim mesma, ou através de outros, me oferta desgostos. E me oferta gostos. Mas você trouxe de novo, o gosto bom de emoção.

quinta-feira, 28 de julho de 2011



Quero ir para casa. Vamos embora. Ele pedia com a voz meiga, olhos marejados. Puxava a mão do pai, olhava para a mãe e continuava pedindo, insistia, fazia bico. Reclamaram com ele. Então desistiu, sentou-se triste, cansado. Era visívil o cansaço dele, e eu entendia, doze horas da manhã, sol quente, depois de três horas de missa e procissão.

Algumas crianças diante da mesma situação poderiam chorar alto, gritar, espernear, cair no chão, chutar os pais. As crianças para pedirem atenção, carinho, afeto, para serem ouvidas e vistas, podem ter vários comportamentos, várias atitudes, desde chorar baixo a chorar alto, falar ou gritar, dar a mão ao adulto, ou a uma outra criança, deitar no colo, chutar, beliscar, ficar de cara feia, se isolar. São diversas as manifestações comportamentais para exprimir sentimentos e emoções. Afetos, carinhos, cuidados.  Assim como para expressar dor, frustração, raiva, desapontamento, medo, indignação.

As crianças crescem. Vão reproduzir nas relações de adulto,  tanto a maneira de dar, de pedir,de aceitar atenção, afeto, cuidados e carinho, de serem ouvidos e vistos. Uns expressam atenção e carinho, mas não sabem receber. Outros, sabem receber, mas não sabem dar. Tem aqueles que nem sabem receber e nem dar.

Sendo assim, ao nos tornarmos adultos, trazemos dentro de nós a nossa criança, a nossa história de vida, o tão falado passado, a teia de relações que nos formaram. Relações que podem ter sido de cuidado saudável, exagerado cuidado, de abandono, de exploração.Ou até um misto delas.

Nós não somos o que somos por mero acaso. O importante é o que estamos fazendo com o que somos, e como somos. Por isso, relacionamento e comunicação, são temas sempre frequentes de análises das dificuldades, da busca de entendimento. numa relação a dois, nunca estão só os dois, estão varias representatividades das nossas anteriores relações.


quarta-feira, 27 de julho de 2011


série: julgamentos, preconceitos, verdades e limitações






Terremotos, guerras, crises econômicas, desemprego.
Tsunamis, chuvas intensas, alagamentos, desabamentos.
Jovens morrendo drogados, pessoas dizimadas pela fome.
A seca castigando cidades, famílias vivendo em conflito.
Pedofilia, estupros, esquartejamento.
Tufões, vulcão em erupção.
Doença físicas, mentais, espirituais, sociais.
Aviões caindo, barcos afundando, trem descarrilhando.
Corrupção, assaltos, acidentes de trânsito.
Violência moral e física, tristeza, depressão.
O ser humano ainda se perde em futilidades.
Sofre por bobagens. Se irrita por fatos insignificantes.
Radicalismos, certezas, preconceitos,
provando mortes no e do ser humano.
Palavras também ferem.....
série: julgamentos, preconceitos, verdades e limitações


As nossas verdades e nossas certezas, são nossas. Nos mostram caminhos. Nos fazem caminhar. Nos fazem acertar. Mostram quem somos.
As nossas verdades e nossas certezas, são nossas. Algumas introjetadas sem questionamentos. Sem um olhar crítico. Vindas dos antepassados.
As nossas verdades e nossas certezas, são nossas. Elas podem nos descaminhar. Desvirturar caminhos. Atropelar o outro. Ferir, magoar, entristecer, matar. Promover desacertos, e nos levar a erros.
Em nomes dessas verdades e certezas, se ama um Deus, e se mata, em vez de pregar a paz.
Usando-se de verdades queremos enquadrar o outro nas nossas fórmulas de certo e errado. Talvez as mesmas fórmulas que nos aprisionam e nos deixam cegos. E passamos a ser o dono da verdade.
A partir das verdades se tenta pregar o sentido de uma raça limpa. De uma mundo melhor, e se mata indiscriminadamente.
As nossas verdades podem nos tornar preconceituosos. E por estes preconceitos discriminamos. E cometemos crimes. Julgamos, separamos, aniquilamos. Ferimos.
As nossas verdades nos fazem criticar políticos, chamá-los de corruptos e de anti-éticos, nos fazem ficar aterrorizados quando um indivíduo mata pessoas por causa de política, de religião, da raça, da classe social, da opção sexual.
Até onde as nossas verdades estão nos fazendo ter comportamentos discrepantes do que esperamos para o mundo e do que criticamos? Até onde nossas verdades nos deixam intolerantes, preconceituosos, discriminatórios, racistas?
Colocamos nas mãos dos outros um mundo melhor, onde a paz vem do outro e passa a ser esperada. Onde não percebemos que muitas vezes contribuímos para um mundo de desarmonia, e que a paz depende de um ato nosso, no dia a dia.
Nossas verdades nos fazem melhor? Ajuda o outro? Colabora com a paz das nossas relações? Ou somos apenas marionetes delas? Será que feito marionetes somos e agimos manipulados emocionalmente e impulsivamente por elas?

terça-feira, 26 de julho de 2011

série: julgamentos, preconceitos, verdades e limitações.



Que pena!
O quê?
Que pena! A avestruz é uma ave, tem pena, e não voa.
Sim, é verdade, mas é pena para quem? Para você ou para ela? Saiba que ela é a ave maior que existe, de bela plumagem, muito veloz na corrida.
E se é uma ave e tem pena, não era para voar?
Se você enxergar com esta visão limitada, preconceituosa,  sem perceber outras coisas, outras qualidades,  talvez seja uma pena. Talvez eu comece a ficar com pena de você, que deixa de ver a beleza dela correndo, leve, solta, alegre na função dela, na beleza dela, do jeito dela.
E beleza não é relativo?
Sim, depende de quem olha e como olha. Depende muito do sentir.
Você está me criticando?
Talvez, não sei, talvez alertando para você olhar com outros olhos. Olhar com os olhos do sentir. Se desprenda da pena e do voar....porque a liberdade dela está em ser.


domingo, 24 de julho de 2011

Explicação: a minha escrita é fruto de personagens reais, posso conhecê-los ou não, porém os meus desejos, emoções, sentimentos, em relação a eles ditam a escrita.  No meu pensamento vários personagens se encontram, dialogam, por isso que a escrita muda, de tristeza para alegria, de decepção para desejo, de frustação para sonhos.Os textos postados  não seguem sequência lógica da minha relação com estes personagens. Lembrando ainda que a imaginação é a grande aliada de quem escreve, que pode ser mesclada com a realidade.


Os azuis dos teus olhos castanhos me fizeram voar. Me senti uma borboleta frágil e livre. Ao mesmo tempo um pássaro forte e belo, presa ao teu encanto. Presa e livre na tua forma sensível e penetrante de olhar. Em tuas mãos, senti as minhas. Em teus olhos, pude me ver. Senti carinho.Sorri um sorriso tímido.Tive vontade de ficar. Mas era chegada a hora de partir. Meus lábios ficaram próximos aos teus. Resisti ao desejo de te beijar. Oh, tão cruel fui comigo. Ali, cometi comigo um dos maiores crimes. Não matei o desejo. Matei uma das melhores lembranças que poderia guardar comigo para sempre. Matei o gosto dos teus lábios no meu. Carrego comigo este crime. Carrego comigo um desejo insaciável. Ainda sinto o nosso abraço. Ainda sinto o teu olhar me olhando. Ainda sinto as tuas mãos nas minhas. Só não sinto os teus lábios nos meus. Oh, como fui cruel comigo. Era preciso voar...










Olho a tua foto e me pergunto, o que mudou? E o meu coração faz um baticutum dentro do peito. Uma arritimia boa, tenho vontade de pegar o embalo dele e sair pelo mundo, dançando na chuva, dançando no sol, fazendo piruetas. Nem olho mais a tua foto, e ficou gravado o teu sorriso na retina, e a imagem foi transferida para a mente, como um salvar como. E me pergunto, o que mudou? E o coração continua saltitando. Penso o quanto a dona deste coração é boba. Qual a diferença em saber como és? E o coração já se acalmando, só rebola, feito criança brincando de bambolê. A imaginação foi criando várias vesões de uma mesma pessoa. Enquanto o teu sorriso sorri, e os teus olhos da cor que gosto também sorriem, lembro das tuas feições, e todas as outras versões de ti, que criei, vão se desfazendo, feito papel de parede de outdoor molhado. Ao ver a tua imagem, eu sorria, como quem retribuia o teu sorriso, olhava os teus olhos profundamente como se eles me olhassem, olhei o teu corpo, os teus braços, e as tuas mãos me chamaram a atenção. Bonitas mãos.



sábado, 23 de julho de 2011




Dizem que quem procura acha. Achei o teu sorriso. Achei os teus olhos, a cor deles, o formato do teu rosto. Teus traços não negam a origem. Achei até o braço que você usa o relógio. Não cansei de procurar, não desisti. E agora como juntar a realidade com a imaginação, sem se desfazer o mito? Agora tenho você mais perto, tenho uma imagem emoldurada, um sorriso congelado, meu coração acelerado. Você com o tempo vai se tornando real. Vai saindo de dentro fantasia, tomando forma.

Para mim era tão simples te conhecer. Conversar, contar da minha admiração, do meu fascínio. Mas não foi possível, as pessoas nem sempre colaboram para realizar os sonhos dos outros, e foi assim comigo e você. Você não colaborou para realizar meu sonho, o de te conhecer. Então, pego o sonho e o multiplico, como quem trabalha uma massa grande de pão, deixo descansar para ele crescer,  e o subdivido em diversos outros sonhos.



sexta-feira, 22 de julho de 2011





Chego em casa e um vazio se abre em mim, feito uma cratera no asfalto. Enorme e fundo. Abro um sonho de valsa e saboreio, lembro que a vida é feita de sonho. Sonhos lembra você. O pensamento roda, roda e se repete. Sempre me lembrando você nesse círculo vicioso. Ele, o pensamento, vai valsando e sempre você passa neste salão imenso de lembranças e emoções.

A noite se encolhe, porque chove. Sem estrelas, nem lua, nem gente na rua. Na mesa de cabeceira dois livros dialogam, falam das minhas dúvidas, dos vazios, dos mistérios e dos entendimentos. A bíblia e o livro dos espíritos falam das minhas buscas. Ao lado deles, Sêneca observa e me fala do aprendendo a viver. Todos dizem algo, mas foi lendo você que aprendi um pouco mais de mim. Um pouco mais da vida. Você sempre me fazia ver os meus hiatos, e minhas conquistas, através das histórias reais de gente. Me mostrava de forma quase palpável que sonhos movem a vida, que sonhos alimentam a energia vital, que ter um sonho faz superar dores e perdas. E eu sonhei um dia lhe conhecer.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

 
 
 
 
Você me dá pulsações
De vida
Me devolve pulsações
De passado
Mas não pode pulsar
Futuros, nem sonhos
 
Você faz meu sangue
Pulsar em outros sons
E na escuta destes sons
Tenho outros tons
 
Nas escrituras da vida
Você me escrivinha
E faço esboços de mim
Me rascunho, me rememoro
E sem demora escrevo
Novas histórias
 
Há vida em cada linha
Dos meus meridianos
Ah, vida!
Há! Vida.
 
 
 
foto: vista da varanda
14.07.11 05h42

terça-feira, 19 de julho de 2011



Tem uma frase que diz assim: "Quem vê cara, não vê coração". E eu sempre  tive vontade de escrever sobre mim, porque quem ler blog, não sabe a estabanada que se encontra do lado de cá. Se eu fosse falar mal de mim, teria muitos post para serem postados, mas eu não quero falar mal de mim, para não ficar deprimida. Já basta eu morar comigo, eu dormir comigo, eu ter que me dar banho, cuidar de mim, trabalhar para me sustentar, aguentar meu mau humor, minhas noites mal dormidas, minhas quedas, minhas queimaduras quando passo roupa, o prato que quebrei lá na casa do português, a máquina fotográfica que perdi, .......tá bom, chega! E porque o fusca? Está foto foi de julho de 2010. É o fusca de um colega de trabalho, e o fusca era do sogro, ele herdou, uma relíquia. Pois bem, a semana passada esta o fusquinha muito quieto, estacionado no pátio do trabalho e eu bummmmmmm, bati no fusquete. Fiquei incrédula, como bati no fusca ali do meu lado, tão tranquila que estava.

Fiquei pensando na possível raiva do meu colega, no trabalho para consertar o carro....Quando retorno ao turno da tarde, nada do dono do fusca. Os colegas de trabalho iam chegando, e eu logo perguntava, viu o que fiz? Quase todos disseram: está amando e sorriam. 

Logo lembrei de vocês, porque quando escrevo algo triste, dizem que estou amando, se escrevo alegre dizem que estou amando, bati no fusca, dizem que estou amando. Eu não estou amando, eu sou mesmo distraída. Esta é a cruel realidade. Nem romântica eu sou.

Para meu divertimento, postei a história lá no facebook da turma do colégio que estudei, porque tem um rapaz que brinca (?) dizendo que mulher faz muita besteira no trânsito, que mulher não sabe dirigir. E a história do fusca está rendendo histórias e lembranças, dividindo opiniões, e só no final da tarde lembrei que este colega de trabalho também estudou no mesmo colégio.

E se não estou amando, significa que sou realmente distraída e estabanada.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Surpreenda-me




Sempre, todos os dias, fico na espera de um sinal. Sou descendente de índios, gosto de olhar o céu, o movimento das nuvens, a lua, a posição das estrelas. Por fora, uma brasileira com a miscigenação disfarçada nos traços de uma cabocla. A alma, fica sempre acocorada olhando os sinais de fumaça, tentando decifrar onde queima a emoção. Surpreenda-me, todos os dias. Surpreenda-me, sempre. A cada surpresa me decifro em sinais. Desalinho as estrelas que brilham por mim. Meus olhos nublam, surpreenda-me, e sorrio chuvas.



domingo, 17 de julho de 2011



Quando perdida num mar imenso de belezas e emoções
Com sentimento de naufrago em alto mar
Sol a pino a encandear a razão
Sal da maresia dos olhos a confundir as certezas
Surge uma tábua de salvação

Se não é qualquer mão que me abre o coração
Não é qualquer tábua de salvação que me tira do mar de emoção
Mas ela, a tábua, me distrai
Me seguro nela, deixo as pernas da imaginação brincarem
Batendo forte, fazendo ondas
Que vai me levando para a areia

Terra firme, coqueiros, sorrisos
Me distraio do mar que me afogava
Eu e a tábua brincamos com as ondas
Em águas rasas, na beira do mar


Foto: praia de Boa Viagem

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Pontuando





Sabe, realmente não é fácil ler o que você escreve. Menos, ainda, ler a sua alma em braile. Os seus textos são bem pontuados, um português claro, frases bem elaboradas, porém sinto falta das exclamações que me fazem parar estarrecida, feito um freio brusco num ônibus lotado. Por outro lado, os finais dos seus textos com reticências me provocam, me instigam. Ah, benditas reticências, me fazem pensar o que você estava pensando e não concluiu, me fazem pensar o que mais você teria para dizer. Nas reticências derrapo feito um carro com pneu careca numa curva acentuada em dia de chuva, e me perco completando os seus pensamentos. Nos seus textos, sempre me perco de emoção, fico extasiada nas suas construções poéticas. E se tem interrogação, sinto ser fisgada feito um peixe pescado por anzol, fico tentada a responder seus questionamentos. O pior é tentar ler a sua alma, ela está em cada texto, em frases bem colocadas. Você se deixa escapar nas emoções das construções poéticas. Sim, sua alma está lá, mas eu ainda me confundo nas entrelinhas. Nas pontuações. Um ponto, afinal!


Leia a resposta dele clicando aqui



foto: 15.07.11
Pena e tinteiro pertencentem a minha mãe.
Cena da foto feita com a colaboração dela.
Texto
Mais um desafio proposto por Eder.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Chapada dos Veadeiros - GO


Catarata dos Couros
Um percurso de difícil acesso. Fiquei sozinha, o grupo seguiu. 
 Curti a natureza, as piscinas naturais. Agradeci, refleti.
Tenho aprendido com a natureza a reconhecer os meus limites. E que parar, desistir, voltar, às vezes é o melhor. Nem sempre desistir é sinal de fraqueza. Nem sempre seguir, insistir é o mais inteligente.
Tudo depende das nossas forças, das nossas fragilidades, dos nossos limites.


fotos: outubro-2010

terça-feira, 12 de julho de 2011


Você tocou meu coração. Tenha certeza. Se escutei uma música diferente da que era tocada, não se preocupe, o importante é minha alma ter dançado. Dizem que só escutamos bem com o coração. E eu escutei um música embalando os meus dias. Sabe, tentei cantar e dançar. Desafinei. Posso até ter dançado demais, ter soltado as asas pelas estradas do meu céu, faz parte de quem escuta um música que toca o coração, faz parte do processo da troca de plumagem.A vida é assim, desafinamos, trocamos os passos, trocamos os pés pelas mãos, mas no fundo no fundo, trocamos as asas que ajudam a voar os dias. Acho que você bem entende que precisamos de sons, de danças, de toques, de um novo olhar, para embalar os dias. Os encontros musicais que tocam os coração acontecem, às vezes um som de tuba, outras vezes um som de violino.

Quando em contato com os sons do seu coração, tive vontade de fotografar poesias, e sai pelo mundo vendo poesias nas ruas, ali estava o melhor entendimento de vida. Mas ainda preciso de muito para compreender a dança da vida, e afinar meu coração com as músicas que tocam no dia a dia. E você sabe que não é fácil esta orquestração entre o mundo interno e o externo. Saber que você entende, faz com minha alma fique um pouco aliviada destes descompassos e desafinações. Você tocou meu coração, ainda escuto as vibrações musicais no meu ser.


segunda-feira, 11 de julho de 2011



Benedita era nordestina, trabalhadora, e sonhadora. Admirava o fruto do mandacaru. Via beleza no vermelho do fruto, contrastando com o verde do mandacaru e com o azul celeste do céu do seu sertão. De tanto admirar, vivia a se furar nos espinhos do mandacaru, porque chegava perto demais.

Um dia sonhou que o mandacaru tinha sentimentos e no sonho ele falava, dizia com a voz grossa, voz de trovão em dia de tempestade, parecendo estar enraivecido, que não entendia aquela admiração tão intensa. Ele, quase gritando, dizia ser apenas um mandacaru e que tinha espinhos, e que muitas vezes furava ela para que ela não se aproximasse, porque eles eram de naturezas diferentes e ela invadia o canteiro dele, incomodando o seu sossego.

Acordou assustada com a veracidade do sonho e a forma como o mandacaru falava, com tanto rancor. Ela ficou triste.  Ele nem se dava conta dos seus lindos frutos, motivo pelo qual ela perdia-se em admiração. Por isso, ficava horas sentada bem próxima ao mandacaru, para sentir de perto a cor dos seus frutos.




foto: no meu trabalho - 2009
texto: 02.03.11

domingo, 10 de julho de 2011






Final de tarde de domingo, danço ao som de uma música suave. O corpo embala-se, fecho os olhos, me sinto, o pensamento vagueia. O céu, pintado de azul e rosa, magicamente se transforma. Danço.

Daria a você o contato das minhas mãos com creme para deslizar em teu corpo, ao som da música suave e romântica. Daria o céu colorido de azul e rosa para alegrar o final do teu domingo. Final de tarde, para alguns, melancolia, lembranças. Para mim, agora, belezas para perfumar e colorir o teu corpo, a tua alma. Para embalar teus sonhos. Danço.




Lindo o céu. A foto não mostra a beleza que vi.
Texto e foto - 19.06.11 - Domingo

sábado, 9 de julho de 2011



Vou sair agora. Ainda chove, faz cinco dias. Clima bom para dormir, ficar em casa, mas preciso sair. Olhei pela janela, a tua janela, e lá estava fazendo sol, tem árvores e pássaros. Tudo tão colorido e bonito. Cheguei a ver um arco-íris. Não, não tinha arco-íris, mas eu vi, ou melhor eu senti ficar cheia de arco-íris dentro de mim. Cada dia me encho mais de cores, principalmente nestes dias cinzas, só para sair pelo mundo pisando poças de água coloridas.Vou sair agora, queria tanto quando voltasse encontrar novidades. Um assobio me chamando da janela, um pássaro qualquer voando de asas bem abertas, enquanto brinco de ser borboleta.


Texto: 12.04.11






sexta-feira, 8 de julho de 2011

Feito uma boa dança





Escrever com Eder foi feito uma boa dança. E nada melhor neste momento para comparar o nosso escrever, em conjunto, com uma dança, com um bom cavalheiro, num bom salão, com boa música.

Ele fez o convite. Receiosa, aceitei. Ele deu os primeiros passos, tentei acompanhar. Ele deu uns passos que eu não soube desenvolver (um trecho do texto que não concordei), ele soube mudar o ritmo, aceitou as limitações da dama, e a dança fluiu. Foi de uma naturalidade, de uma facilidade impressionante, escrever junto com ele. A leveza, a destreza, a condução, os acertos, os consertos, de um bom dançarino (escritor).

Esta parceria, esta cumplicidade, este despojar-se para escrever em conjunto, me fez dançar por várias reflexões. Entre elas:

1 - a facilidade que umas pessoas tem de interagir, enquanto outras não, sejam de modo virtual, seja na vida real.
2 - que tive dificuldade de deixar o personagem dizer o que eu não acredito. O personagem precisa estar isento dos meus conceitos e preconceitos, das minhas limitações. Um ótimo aprendizado para que eu possa começar a criar personagens, a sair de mim. A ser o meu oposto.
3 - que foi muito importante escrever no masculino. Uma oportuinidade de exercer este sair de mim. Embora todo o tema proposto por Eder, acredito que pela percepção e boa observação dele, foi dentro de uma tema que é sempre corriqueiro nas minhas escritas. Então foi fácil. Porém, escrever no masculino, me fez me sentir vingada de colocar um ser masculino sentindo saudade, sentindo ausência. (bobo isso, não é mesmo? sorrisos)
4 - no entanto, agi no texto, como reajo na vida. Quando vi que o tema tristeza se prolongava em dois textos, convidei para dançar. E mudei o ritmo do texto, mudei o ritmo da história, assim feito mudo o ritmo dos meus dias, e da minha vida. Me repeti, de novo, ali no texto. Foi muito interessante observar esta característica minha ali, tão forte. E o melhor, Eder ter aceito incluir o tema dançar, quando dançar nem caberia ali ainda. Se ele não tivesse aceito, não sei quais seriam os meus sentimentos, as minhas inquietudes.
5 - às vezes achei difícil me desfazer das minhas ideias, para fundir-se em um texto único. Eu até me despedia ao enviar para ele, com um certo pesar.
Ele tem uma facilidade enorme em interagir, mudar, complementar, trocar ideias, corrigir, formatar o texto, aceitar sugestões. Ele comprova o que eu já sabia,  um grande escritor. Obrigada a vocês por terem lido, feito algumas observações, e obrigada Eder por esta oportunidade.







segunda-feira, 4 de julho de 2011

A espera de uma dança

Autores: Eder Ribeiro e Paula Barros
02.07.11




Depois que você se foi, resolvi exorcizar os meus fantasmas escrevendo. Porém, as lágrimas não permitiram, borraram a escrita. Então resolvi comer as palavras. Não, não eram sopas de letras, comi as palavras por inteiras. Comi a felicidade com tanto gosto, mas a digestão foi tão rápida, durou pouco. Faminto, comi a alegria, a amizade, a música e fiz um dicionário de coisas boas dentro de mim, no entanto, as palavras foram efêmeras, digeridas, sobrou uma bíblia de desilusão.

No rádio Maísa canta, as lembranças pululam em minha mente. Quando penso em você, tudo é passado, somente a dor de ter lhe perdido que não é, ela teima em não passar. Lembro-me você matando uma barata e me pedindo para jogá-la no lixo, eu com cara de nojo recusava sempre e você dizia, "que eu saiba, a mulherzinha aqui sou eu". Ríamos à toa, felizes.

Agora Renato Russo canta, "você foi embora cedo demais". Mudo de estação para não permanecer neste estado de solidão e tristeza. Chega, estou indigesto, paro de ouvir, paro de comer as palavras, eu preciso é tomar alegria.

As pessoas se angustiam com o seu próprio sofrimento, e com o do outro. E logo propõe algumas alternativas. Viajar, passear, sair para dançar. É o que tenho escutado. Como se a solidão, o sofrer, o chorar, não pudessem ser vividos por muito tempo. Você se foi, e não posso sofrer em paz. É, começo a achar que as pessoas estão certas. Preciso respirar outros ares. Mesmo que chore sorrindo. Ou chore dançando. É, vou aceitar aquele convite para dançar. Mesmo sem saber. Sou muito duro, sem jeito, desengonçado. Mesmo sabendo que me falta musicalidade no corpo, eu preciso beber felicidade. Afinal escrever e dançar são tão iguais como Romeu e Julieta, para escrever basta a mão se dar a caneta e os dois bailam pelo papel como se este fosse um grande salão. Eu sei escrever, e não é soberba, acho, agora tenho que dar a minha mão para que outra mão me guie neste salão de dança que é a vida. Espero...


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Estado

Autores: Eder Ribeiro e Paula Barros 
30/06/11



Definitivamente não sou um homem de fases, sou sim, um homem inconstante, tal quais as estações em um país tropical, não bem definidas. Quanto tempo dura um inverno? Não sei. Que importância tem isso agora. Sei, e muito bem, a perda fez um inferno dentro de mim e mesmo assim, permaneci gélido. Ela se foi e deixou um inverno interminável, sofri infernos. Mas o que é o passado senão cinzas que nunca abrasarão. É primavera, preciso abrir janelas e portas, lá fora o dia é um quadro de Matisse, ou então um quadro cubista de Picasso. Preciso da brisa da estação para retirar de mim este cheiro guardado de guarda-roupa velho. Lá fora uma nova época, mudanças, transformações, o belo, a harmonia, o desabrochar. E eu? Tão inverno ainda. Vivendo este inferno de lembranças e dúvidas. Das flores preciso das tonalidades das cores, dos cheiros variados, das diversas texturas e formatos. Preciso não só abrir janelas e portas que dão para o mundo, preciso abrir minhas janelas e minhas portas, abrir os sentidos para um novo sentido de vida. Depois que ela se foi, eu precisava de um recife para me incrustar e esquecer que um dia a amei. Não tive, sobrou-me Recife para destrancar o meu necrosado coração. Mas esqueci que o sofrimento, as situações mal resolvidas, vão conosco onde estivermos, e que as mudanças de estações servem para reflexões, mas as nossas estações têm tempos indefinidos, como são as estações do ano em um país tropical. A perda sempre arrecifa o meu coração, decididamente não sou um homem de fases, sou sim, um homem de um único estado, a solidão.




Convido a conhecerem o blog de Eder.
E confiram a qualidade dos textos dele.