Escrever com Eder foi feito uma boa dança. E nada melhor neste momento para comparar o nosso escrever, em conjunto, com uma dança, com um bom cavalheiro, num bom salão, com boa música.
Ele fez o convite. Receiosa, aceitei. Ele deu os primeiros passos, tentei acompanhar. Ele deu uns passos que eu não soube desenvolver (um trecho do texto que não concordei), ele soube mudar o ritmo, aceitou as limitações da dama, e a dança fluiu. Foi de uma naturalidade, de uma facilidade impressionante, escrever junto com ele. A leveza, a destreza, a condução, os acertos, os consertos, de um bom dançarino (escritor).
Esta parceria, esta cumplicidade, este despojar-se para escrever em conjunto, me fez dançar por várias reflexões. Entre elas:
1 - a facilidade que umas pessoas tem de interagir, enquanto outras não, sejam de modo virtual, seja na vida real.
2 - que tive dificuldade de deixar o personagem dizer o que eu não acredito. O personagem precisa estar isento dos meus conceitos e preconceitos, das minhas limitações. Um ótimo aprendizado para que eu possa começar a criar personagens, a sair de mim. A ser o meu oposto.
3 - que foi muito importante escrever no masculino. Uma oportuinidade de exercer este sair de mim. Embora todo o tema proposto por Eder, acredito que pela percepção e boa observação dele, foi dentro de uma tema que é sempre corriqueiro nas minhas escritas. Então foi fácil. Porém, escrever no masculino, me fez me sentir vingada de colocar um ser masculino sentindo saudade, sentindo ausência. (bobo isso, não é mesmo? sorrisos)
4 - no entanto, agi no texto, como reajo na vida. Quando vi que o tema tristeza se prolongava em dois textos, convidei para dançar. E mudei o ritmo do texto, mudei o ritmo da história, assim feito mudo o ritmo dos meus dias, e da minha vida. Me repeti, de novo, ali no texto. Foi muito interessante observar esta característica minha ali, tão forte. E o melhor, Eder ter aceito incluir o tema dançar, quando dançar nem caberia ali ainda. Se ele não tivesse aceito, não sei quais seriam os meus sentimentos, as minhas inquietudes.
5 - às vezes achei difícil me desfazer das minhas ideias, para fundir-se em um texto único. Eu até me despedia ao enviar para ele, com um certo pesar.
Ele tem uma facilidade enorme em interagir, mudar, complementar, trocar ideias, corrigir, formatar o texto, aceitar sugestões. Ele comprova o que eu já sabia, um grande escritor. Obrigada a vocês por terem lido, feito algumas observações, e obrigada Eder por esta oportunidade.