segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Escrever por metáforas é dizer muito e não dizer nada. É manifestar todo o sentimento, mas não ser lido com nenhum sentido. Metáfora não é uma faca de dois gumes. É uma faca que só abre o peito de quem escreve. O outro, o leitor, tateia metáforas, mas não decifra sentidos. Nas metáforas não tem linha e entrelinhas, só tem metáforas, que só fazem sentido para quem escreveu. Metáforas é uma forma bonita de esconder sentimentos. Que nunca serão decifrados, nunca serão sentidos. Metáforas é uma prisão semi-aberta, a emoção está livre nos escritos, mas está presa nas simbologias.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Meu Deus!, quanto mais leio mais me enrosco nas pernas do passado. Passado distante, a infância. Passado de poucos anos atrás. Passado de ontem. Passado de quando senti o remelexo das palavras a fofarem minhas lembranças, como se estas palavras fossem um jardineiro preparando um jardim, plantando novos sonhos, arrancando ervas daninhas de lembranças ruins, podando a mim mesma para crescer mais forte. Um passado que não passou e que todo dia é presente. Como pode, meu Deus, este entrelace de mundo distantes, onde a lembrança de um ressurge lembranças em mim? Os olhos são feito um tobogã por onde escorrego para dentro de mim. Parece simples, é simples, é a emoção do outro detonando a minha emoção. Me despedaçando em lembranças, em saudades, em recordações. Em reconstruções e em sonhos.
sábado, 22 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Ainda vou conhecer um Iphone. E quem sabe um dia usarei um. Hoje tinha uma senhora com um I... alguma coisa junto de mim, perguntei como usar. Sou do tempo de brincar com giz no chão. Desenhando sóis para a chuva parar de cair. Desenhando academia, hoje chamada de amarelinha, para pular com os irmãos. Ou corações com flecha pensando no paquera. Quantos Is...serão lançados, para um dia eu me dar conta que já passou a época do Iphone?
Ontem, no trabalho, olhava um colega todo sorridente, sem os dentes da frente. Lembrei que estou no ano de 2011. Que século é mesmo? E meus colegas não tem dentes, nem dentadura. Sim, colegas, no plural. Mais de um desdentado. Alguns não são alfabetizados. Outros leem e escrevem precariamente, não conseguem preencher uma ficha, não compreendem o que está escrito. A maioria não sabe usar computador. Outros não conseguem retirar dinheiro no caixa eletrônico. Mas estão endevidados, empréstimos e mais empréstimos. Sem dentes, sem alfabetização, sem dinheiro. Muitos estão se aposentando. Continuam sorrindo, sem dentes, sobrevivendo sem as tecnologias dos Is... Morreu Jobs, mas eles, e eu também, não sabíamos de tamanha importância para a área da tecnologia e consequentemente para outras áreas. Morre colegas quase todos dias. Esta semana um soube que vai amputar a perna. Vivo cercada de outros ais. Grito da realidade real e cruel.
Lembro do meu tempo de criança, onde desenhar com giz e carvão no chão, e com o dedo na areia faziam parte dos meus dias. Desenhando mundos. Descobrindo mundos.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Ferreira Gullar e um copo de licor. Um copo, e não uma taça. Igual e diferente das mulheres da sua época. De qualquer época diferente. Liberta de molduras, presa à imagem. Ainda presa no porta-retrato da vida. Livre de enquadramentos, mas esbarra nos trincos das portas que abrem e fecham as relações, nos degraus da escada da vida, na grade do forno que queima entre o certo e o errado, no peitoral da janela de um novo mundo, nos olhos das estrelas do ser. Tão sem medidas. Tão comedida. Um gole de Ferreira Gullar, imagens refletidas no fundo do copo, inalando o álcool do licor, bebendo lembranças. Um voo por São Luís, aterrissagem no coração do Espírito Santo. Interseção de lembranças no gosto do chocolate embriagado.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Obrigada por mais esta parceria Eder.
Poderia ser romântica se não fosse banal dizer que eu estava no carro, em um estacionamento, comendo uma maçã com boca de quem queria cometer um pecado, olhando a lua cheia num céu límpido, sem nuvens, ouvindo Fagner cantar "Borbulhas de amor".
Poderia ser poética se a maçã fosse gala ou argentina, mas não, ela é fuji, como é o seu coração divido sem saber se fica ou se vai. Falta-lhe gala, talvez nem o significado desta palavra você saiba. A covardia de assumir os teus sentimentos só lhe deixa uma alternativa, a fuga.
Poderia ser musical, e me deixar levar pelos passos da dança, perder os meus sentimentos entre os jogos de pés como em um passo de tango, ou, quem sabe, não mais me saber, muito menos dos sentimentos quando não souber de quem é a perna quando os pés estiverem descalços.
Tenho um coração dividido, como canta Fagner, entre a esperança e a razão. Mas quem me domina sempre é a emoção. Ah, você! Não vale essa exclamação. Onde está? O teu silêncio não é resposta. O teu coração é como o rochedo, necessita das águas do mar para se moldar. Talvez ele, devido à insensibilidade, não molda, se desfaz. Você não percebe que a musicalidade do meu corpo não necessita da audição para ser compreendida. Você olha e não me enxerga, toca e não me sente. Não me engano mais, simplesmente você não conhece o significado do pecado e nem o gosto da maçã.
Você agora é um peixe fora do aquário, não conhece a mansuetude dos rios e nem a agitação dos mares, nada perdido sem saber da profundeza das minhas águas.
domingo, 16 de outubro de 2011
Farol de um lado
Do outro, um belo farol
Um mar de sentimentos para navegar
O vínculo da palavra
Com a mente
Com o sentir
Com a emoção
Com o passado
Ondas invadem
A sensibilidade à flor da pele, flutuante
Outras ondas mais profundas
A pérola encapsulada do ser desabrocha
Só o mergulho profundo
Para respirar livre dos fantasmas do passado
15.02.2009
sábado, 15 de outubro de 2011
O veneno
Em passos lentos, arrastados, o veneno destilado
A dor pungente da ironia, do descaso, da maldade
O tempo sopra curiosidades perigosas
De descobrir o belo encoberto no manto de fel
Arrasta-se a caranguejeira sorrateira
Em busca dos fios das teias
Tece o belo dos fios de seda
E o que não lhe compete tecer despreza
Ver o que quer ver – o belo
Sente o que não pode sentir – a imaginação
Tece a dúvida para confundir
Costurando a fantasia com linhas e entrelinhas
Pespontos e metáforas de cor negra
Segue a caranguejeira de muitas pernas
Cabeludas e longas
Tecendo fios de dúvidas
Atando o mistério
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Enquanto as palavras saíam livres, desnorteadas, alvoroçadas, me atropelando era muito bom. Não sabia de onde vinham. Uns diziam ser inspiração, outros negavam. Pensei em encosto, algum aspirante a escritor, ruim, diga-se de passagem, que teria morrido e decidiu me usar. Mas duvidavam desta possibilidade. Depois lembrei de Freud e do tal inconsciente. A realidade é que não sei o que aconteceu, às vezes digo que destamparam a emoção, descongelaram as ideias, e assim as palavras pulavam de mim desembestadas, destrambelhadas.
Minha mãe me presenteou com a inscrição numa Oficina Literária. Fiquei super animada, mas a animação durou pouco. Foi lá que soube não existir inspiração. Senti minhas palavras se acocorarem no canto da mente e ficarem à espreita com o dedinho na boca, assustadas. Depois disseram que escrever é esforço, esforço, trabalho, trabalho, que para escrever você tem que pensar, elaborar, cortar, jogar fora, reler, guardar, reler tudo de novo, novos ajustes e muito mais. O segundo susto, as palavras começaram a tremer no canto da parede. Insisti. Então falaram em narrativa, personagem, cena, cenário, dar nomes aos personagens, personagem em oposição. Mais um enorme susto. As palavras sumiram.
Descobri que dá trabalho ser escritor e que minhas palavras são preguiçosas, não gostam de pensar, só gostam de escorregarem de mim e fazerem as emoções se balançarem feito em parque de diversão. Minhas palavras não querem crescer e amadurecer.
O pior ainda estava por vir. Descobri que escritor é infiel, muito infiel. Primeiro ele se mata. Assassina o Eu. E se dá nomes, os mais diversos. Depois ele não se assume, e inventa de criar um narrador para falar por ele. Depois pega as experiências que viveu, com familiares e amigos e coloca em outras cenas, inverte os cenários, troca os personagens e os fatos, e diz que é ficção. Ser escritor é muito complicado.
Gostava mesmo quando as palavras me escreviam e me descobriam. Elas, simples, ingênuas, ignorantes palavras, muitas vezes tiraram lágrimas de mim, e trouxeram a minha criança de volta, e me fizeram mais mulher, mais humana. Mas isso tudo enquanto elas eram crianças e inocentes, não sabiam desse mundo de adultos, onde precisam ser educadas e comportadas para ficarem bonitas e se transformarem em prosa, poesia, conto, romance, crônica e sei lá mais o quê.
As palavras querem a liberdade de mandarem em mim. Me acordarem de madrugada fazendo cócegas na mente e brincando com minhas mãos. Elas só querem ser livres e felizes. Só querem ser crianças.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Olhando pela janela
Aproximando o mar com o zoom
09.10.11
Hoje estou nesta janela uma texto escrito com Eder.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Enquantos prédios e monumentos ficam ROSA para a Campanha do combate contra o câncer de mama ilumina o Brasil de rosa, a situação de quem precisa de tratamento nos hospitais públicos é PRETA. Será que este dinheiro não podia ir para a saúde, para os tratamentos?
Palácio do Campos das Princesas
Sede do Governo de Pernambuco
Mastectomia com reconstituição
Efeito coleterais do tratamento.
Conscientizar da necessidade de se fazer o preventivo sem oferecer condições para se realizar os exames não adianta.
Em dois meses duas pessoas conhecidas mastectomizadas. Uma conseguiu agilizar a cirurgia e fez a reconstituição da mama por influência de amigos num hospital público de pernambuco.
A outra, mesmo com o plano de saúde da Prefeitura do Recife, não conseguia marcar os exames, nem autorizar a cirurgia. Conseguiu fazer a cirurgia no Hospital do Câncer, também com influência de amigos. Sem reconstituição da mama.
Campanhas educativas e de conscientização são importantes. Porém, precisamos de um sistema de saúde funcionando adequadamente.
domingo, 9 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Enquanto ainda é sexta-feira
E porque hoje é sete de outubro de 2011, uma sexta-feira, me assustou. A rapidez dos dias tem me assutado. Ontem era segunda-feira. Quase agora eu estava em Portugal. Daqui a pouco estava no Pantanal. E lá vem mais um aniversário. E lá vem Natal. E lá vem um novo ano. E eu não sei para onde vou com tanta rapidez. Mesmo que esteja mais lerda. Mesmo que esteja com a bolsa cheia de livros, de papéis, de compromissos, de sonhos e de desejos. A bolsa pesa. Mas o ano corre leve. Não consigo combinar os tempos dos verbos. O passado é presente. O futuro é passado. E o presente em que tempo está? Tenho sonhos congelados aguardando o ano passar. Tentei enrolar o ano para não ter saudades, nem vontade de voltar. Mas o ano me enrola e passa correndo por mim. E quando chegar o próximo ano, que é já já, pois vejo ele se aproximando com pernas longas, feito um corredor da São Silvestre com vontade de passar por mim. Será um ano para descongelar os sonhos. Será, quem sabe, o ano de sonhar em voltar. Por isso tentei enrolar este ano carregando livros pesados. Mas mesmo assim o ano está passando leve, leve. E quando alguém ler isto aqui, pode não ser mais sexta-feira. É só questão de tempo, o tempo passar, e eu voltar, ou ir. Vou tocando a vida, do meu jeito, para ela passar dançando por mim.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Na praia caminhando, chutando a água, fincando os pés na areia, alternando as pisadas fortes e leves, olhando as pessoas, ouvindo as músicas do carrinho de cds pirata, recolhendo águas-vivas para não queimar ninguém, vejo desfilar sempre em minha mente pessoas e muitas pessoas, e você desfila também. Lembrar de você é lembrar da vida, e lembrar da vida é lembrar de você. Dessa possibilidade de se dar conta da poesia dos dias, dos momentos, das horas. O ambiente da praia pulsa tanto a vida em mim, que quando preciso de energia e de vida vou para junto do mar. Me reabasteço de sol, de água, de maresia, de vento, de gente, de vidas, de energia...e lá me permito lembrar mais e mais. Na praia me conecto comigo.
18.09.11
terça-feira, 4 de outubro de 2011
O amor das palavras é perfeito, mesmo na imperfeição. Imagino os toques das mãos. Ah, se eu pudesse tocar-te o quanto me sinto tocada. E se pudesse soletrar em teus lábios sílabas. E se pudesse acariciar a tua pele feito toco as letras do teclado, e se eu pudesse apenas escrever um poema de amor em teu corpo. Bastaria uma pequena estrofe, uma frase. Não diria te amo. Apenas deixaria fluir toda a poesia que tenho dentro de mim, em toques.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
série: natureza de um ser
Observo a natureza que se apresenta
Carregada de lirismo
Onde antes era ódio, revolta, criticismo
Caminha a natureza mais leve
Sem perder o peso
Da reflexão e da consciência
Se antes folhas de chumbo pesavam na alma
Hoje leves folhas de outono flutuam
Sem perder a densidade
Nem as nervuras
Nem os orvalhos das lágrimas
Marcadores:
natureza de um ser
sábado, 1 de outubro de 2011
Série: natureza de um ser
O outono permeia o tempo
As folhas das páginas da vida
Amarelam o verde de outrora
As árvores emudecem nuas
Os galhos secos dos verões passados
Não ferem a minha alma despida
Em tuas mãos resta o cheiro da primavera
E em teus olhos os ventos de outono
Amenos ventos abraçam as minhas folhas
Sem ser rude me sopra cantos de passarinho
Será mesmo uma nova estação?
Me resguardo nas surpresas dos tempos incertos
27.09.11
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