Ela e ele
Ela vivia naquela casa, rodeada de todos os mimos, com vários bichinhos de plásticos coloridos. Os adultos davam carinho, ela até esnobava. As crianças, eram suas crianças, ela brincava, dava seus bonequinhos de plásticos coloridos para jogarem de volta a ela.
Ele chegou. Foi achado na rua. Atropelado. Nem latia. Trauma ou sequela do acidente? Chegou magrinho, as costelas aparecendo, andando de banda, a batida tinha tirado ele de eixo. Massagem, remédios, médico, atenção e muito carinho. Ele foi engordando, criando vida. Ensaiou alguns latidos, ainda afônico, desafinado. Mesmo doentinho, o rabo enorme, nunca deixou de balançar.
Foi conquistando a todos. Adultos e crianças. Ela toda desconfiada foi ficando arisca. Até os animais tem ciúmes. Mas dizem que são irracionais.
Ele foi ganhando espaço com o seu jeito malandro. Doentinho e dengoso, mas diria sorridente. Sim o rabo sorria para todos, indiscriminadamente. Com tanto carinho, cuidados e o tempo, já latia, já delimitava espaço. Conquistou os corações.
Luiza, uma menina de 5 anos ao vê-lo apaixonou-se. É tão fofinho. É tão lindo. Ele é um amor. Quero ele para mim. Dizia ela com a voz de criança, ainda mais infantilizada pela ternura e o carinho que escorriam das suas palavras. Perguntada porque ela gostou tanto dele, ela dizia, ele é bonzinho, ele é carinhoso, ele deixa eu fazer carinho nele.
Também entre os animais existe ciúmes. Existe a disputa de espaço. Existe aqueles que sabem conquistar espaço e os que perdem espaço, pela forma carinhosa de ser ou por atitudes ariscas.
(Uma história real, contada pelo meu ponto e vista. Os animais não são meus)