sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Esse post é para mim

Um ano, um mês. Um dia, uma hora as lembranças se tornam mais nítidas. A saudade se agiganta. E vou lembrando dos sonhos realizados. Dos olhares, dos abraços. As fotografias me dizem que tudo que vivi era real, era verdade, e não apenas uma ilusão.

Um mês que fui ao Rio de Janeiro assistir o show de Zambujo.


Um ano que estava em Portugal. Entre ruas estreitas e corações gigantes.


Obrigada a todos que estavam juntos vivendo estes sonhos comigo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011




O dia amanheceu, porque amanhece todos os dias.
O sol se levantou, porque se levanta todos os dias.
Amanheci sem amanhecer. Levantei sem levantar.
Me carrego de amanheceres por amanhecer.

Escuto músicas saindo do rádio, músicas que me tocam.
Ando adormecendo e amanhecendo mais sensível.
A seleção de músicas era toda romântica e em tons lentos.
Os cantores cantavam arrastando a voz.
Enquanto eu arrastava o sono lentamente pela casa.
Arrasto o corpo, empurro o dia, vagorosa.

Este dia que eu amanheci adormecida de noites.
Carregando a cama vazia dentro do peito.
Recebo notícias diversas pelo e-mail.

A modernidade silenciou a voz do carteiro.
Aproximou mais rápido as distâncias.
Escuto a voz da emoção chamando nos meus portões.
Sorrio, a modernidade ajudou a acordar meu dia.


29.09.11




quarta-feira, 28 de setembro de 2011




Meu Deus do céu que coisa mais linda!!! Os olhos marejaram nesta dança harmoniosa de sentimentos e pensamentos, e vai no embalo da canoa e vai. Mar, canoa, pensamentos e flores. Não são algas, são flores em imagens delicadas.

Algo dentro de mim, balanço de ribeiro, que se agiganta em rio, e segue para o mar. Sigo o canoeiro, ele rima harmonizando remos e água, faz ondas no meu ser, sigo. É tão bom este rio seguindo para desaguar no mar, que antes deságua em mim, e faz cachoeiras enormes, com barulho de cachoeiras de todos os tamanhos e silêncio e cheiro de natureza.

24.09.11

terça-feira, 27 de setembro de 2011





A mente vagueia inquieta entre os livros deitados no chão, é a obrigação ali estendida. A insônia acordada vigia os pensamentos que não dormem. A mente grita incessante, não cansa, não deixa o sono dormir. Só repousa nos seios das tuas palavras que estão juntas entre os livros técnicos. O teu escrito alimenta de sonhos a mente irriquieta e carente de colo. O pensamento acalma. O sono acaricia a insônia. A mente adormece.




23.09.11 - 1h55



segunda-feira, 26 de setembro de 2011




...e o olhar percorre as linhas, e percorre, e se encanta.

Não sei o que dizer, nem porque dizer, nem para que dizer.

Não entendo o que o olhar colhe das linhas. Só sinto. E sinto muito. E sinto tremendamente muito este sentir.

...e o olhar sobrevoa as linhas como se o sentir fosse um pássaro que entende de voar.

Mas o sentir só entende de voar, de voar, de voar...





23.09.11



domingo, 25 de setembro de 2011

Espanto



Espanto. Espanto é a palavra que me define. Espanto é o que o coração sente em taquicardia, em descompassos, em passos de seguir, de sentir, de deslumbrar-se.

Espanto. Espanto é o coração quem diz, não sou eu. Esse derramar de adrenalina nas veias de cristal, esse amarelo de sol de verão de meio dia ardendo o sangue.

Espanto. Espanto que me espanta, e que me espalha em brasa feito abanador abanando a lenha.

Espanto bom de ser sangue em desalinho correndo nas veias cristalinas de verão. Espanto tão e somente e sobretuto e apesar de,  sentir espanto.

24.09.11

sábado, 24 de setembro de 2011

Sentir musical




Gosto de me sentir assim
Tocada em todas as cordas
Partitura de minha composição

Gosto deste sentir musical
Tocando em minhas cordas
Vibrando sons
Composição das parti-tuas

21.09.11



sexta-feira, 23 de setembro de 2011





Solta, solta
Os teus pensamentos
Feito nuvens encaracoladas no céu

Solta, solta
A música que entrou pelos poros
E que toca em teus sentimentos

Solta, solta
Os dedilhados azuis celestes
Que inspiram os teus anseios

Solta, solta
Cada pedacinho da tua emoção
Que colherei ao amanhecer

Solta, solta
Os teus ventos alvos e sorridentes
Que vou abraçar antes de dormir

Solta, solta
O teu poente poético
Que nascerei alaranjada em campos verdejantes


21.09.11





quinta-feira, 22 de setembro de 2011






Um dia desses estava tomando Mozart, sabor chocolate. Degustando Emílio Santiago. Freud se aproximou e me disse: você está sublimando o amor. Já tinha ouvido falar deste senhor, que até me pareceu mais jovem, talvez sejam meus olhos de admiração. Sorri em silêncio. Olhei ele bem nos olhos, com meus olhos de interrogação. E ele continuou: você pensa que pode viver assim, só de encontros de almas, acariciamentos de mente, e troca de palavras? Sem toques mais profundos. Sem uma transa de vez em quando? Continuei olhando ele nos olhos. Não respondi. Já ouvi dizer: nem Freud explica. E eu pensava, olhando aqueles olhos profundos, cansados. Nem Freud me entende. Ia contar a ele sobre aquele beijo que não dei, e que até hoje penso. Ou aquele beijo que dei e que o rapaz mordiscava meus lábios e que eu não gostei. Ou daquela transa mal sucedida. Mas Freud não quis mais me olhar nos olhos. Ficou deitado no divã atrás de mim, se protegendo do meu olhar profundo. Eu até ia contar a ele: textos, crônicas e poesias me acariciam profundamente, vivo apaixonada, sinto prazer. Mas Freud não entende deste tipo de sexualidade, penso eu. Talvez esteja sublimando o amor, evitando alguns encontros, provocando desencontros. Mas Freud não quis conversar me olhando nos olhos. 






Amor! Amor. Amor? Não, não é amor. Não quero confundir ninguém. Não quero me confundir. Só quero sentir as asas do beija-flor dentro de mim. Quando ele sobrevoa minha emoção e mergulha no meu sangue pinta borboletas com suas asas aceleradas. Na coluna vertebral cresce um enorme girassol. Das pontas do cabelo nascem rosas em cachos. O beija-flor é pintor. E eu transpiro cor. Cor até rima com amor. Mas não é amor. É só cor trazida nas asas de um beija-flor, que me pinta, que solta tinta no meu sangue.

22.09.11