segunda-feira, 20 de abril de 2009

O inexplicável....
Desde que cheguei a Brasília me falam de sequestro relâmpago, porém ninguém me falou de adoção relâmpado. E se essa história que vou contar se não fosse comigo, eu duvidaria. Portanto, fiquem a vontade para duvidarem, a personagem não é de ficção, é real. Só podia ser eu. Durante a semana decidi que no domingo iria assistir a missa no Convento de São Bento e conhecer a Emida de Dom Bosco. No sábado a noite ligo para dois blogueiros para saber se algum deles iria a missa, um não iria, outro não consegui falar. Levantar mais cedo, ir para a rodoviária, pegar o ônibus, saltar na estrada, andar um caminho um pouco deserto e um pouquinho distante da estrada. Lá vou e os pensamentos. Quase todos os dias alguém me pergunta onde fica algum lugar, e digo não ser da cidade. Nessa estrada, andando apressada e receiosa pára um carro e pergunta se vou a missa. Olhei assustada, era um casal de idosos, ela dirigindo. Pensei, quem corre mais riscos? Eles. Então respondi sim. E me levaram para uma outra igreja, e não para o convento. Lá ficamos decepcionados momentânemente, ela por pensar que eu ia aquela missa, e eu por não ter chegado ao convento. Ela queria ir me levar no convento que era próximo, eu disse que não se preocupasse, assistiria a missa ali com eles e depois iria ao convento. Ficamos juntos no mesmo banco. Conversamos um pouco. Puxo o caderninho e anoto: Às vezes a ajuda, a palavra que nos conforta não vem de onde esperamos, nem dos mais próximos. Terminada a missa ela diz que vai me levar a Emida e a Igreja do Convento. Passada aquela fase do não precisa, não se preocupe. Lá vou eu. Fotos conforme o roteiro turístico recomenda. Depois disse que aceitaria a carona até a estrada para pegar o ônibus. Ela já tinha me adotado e eu ainda não percebi. Insistia para ir almoçar na casa dela, almoço de domingo, com toda a família. Você está sozinha em Brasília, vai ficar sozinha no domingo. O meu eu carente começou a gostar dessa ideia. Dizia a ela que ela não me conhecia, como ia me levar para a casa dela....essas coisas que dizemos, que os filhos dela podiam não gostar. Eles vão adorar, respondia, é um prazer, insistia. Aceitei. Na casa, apenas uma filha, os outros iriam chegar. A filha começa a falar do trabalho que fez em Recife, implantação do Programa de Qualidade e participação na Administração Pública, e eu tinha participado. Um dos coordenadores do progama trabalhou na época na mesma empresa que eu trabalho. Comecei a me arrepiar. A conversa fluiu. Já me sentia em casa, mãe, pai, irmã. O dono da casa, Adênis Bergamachi, até então expectador da conversa, assume a postura de pai adotivo e me presenteia com dois livros dele, de poesias e crônicas e dedicados. Ufa, coração. Vai chegando, a outra irmã que é gêmea, o irmão, o tio, o genro (psicólogo e professor da Universidade de Brasília, assunto que me interessa), o irmão do genro (professor de história da Universidade de São Carlos em São Paulo, veio dar uma palestra). A família foi crescendo, todos de uma simpatia impressionante, uma acolhida sem igual. Todos sentiam que me conheciam a muito tempo. E fui ficando, e a insitência para me hospedar lá aumentava. Resisti, expliquei que tudo era muito estranho, que eles não me conheciam. Venceram. Foram buscar minhas malas no hotel. Tem momentos e situações inexplicáveis. Que precisam ser vividas. Sempre acho e busco sinais em tudo. O dono da casa é do Espírito Santo e ela é de Minas Gerais. Quando soube, disse a eles, gostei dessa junção, pretendo conhecer esses dois estados. Depois comecei a me lembrar da família do Alentejo-Portugal, que já me sinto adotada. E ao acordar fui mexer na estante da casa e achei um livro de Florbela Espanca – alentejana. Claro que tem muito mais anotações, histórias entrelaçadas, emoções vividas, lembranças resgatadas, mas resumir não é fácil. E os sonhos só se fortalecem e crescem.....e o inexplicável sempre acontece.

22 comentários:

Verdinha disse...

:O e se eles fossem uns "velhinhos" que roubam orgaos ou coisas parecidas? :O (noutra vida devo ter escrito filmes de terror. ahah). É bom saber que ainda existem pessoas com o coração no sitio certo.
beijo

Leo Mandoki, Jr. disse...

essa sua história é uma serendipidade minha amiga paula! lembra das serendipidades? vc que quis tanto saber o que era, acabou experimentando uma na sua vida real. É só o Alentejo? e Leiria não? Leiria não é tão bonito como o Alentejo. Mas tem boa comida e um castelo medieval do sec XII. Talvez vc já saiba que o Eça de Quirós foi governador civil aqui em Leiria entre 1880 e 1881. E aqui ele começou a escrever o livro do Crime do Padre Amaro, cuja história se passa aqui em Leiria. Qnd vc vier cá, eu te ofereço o livro e vc o lê percorrendo as ruas da cidade. E se vc gostar mesmo do Eça, ainda podemos ir a terra onde ele nasceu: a Póvoa de Varzim. Qnd me faltam ideias para escrever, faço como fiz hj, vou até aos lugares por onde já esteve o Eça e deixo a mente vagar...assim a história acaba por me acontecer...de uma forma muito estranha...como vc já deve ter percebido...
um beijo eólico pra vc!

glória disse...

Paula, a tua narraçào me encheu de uma ternura apinhada de alegria. Eu acredito nesses vínculos sagrados, porque compassados pelo simples fluir da generosidade. Amei ler tuas linhas e saber que estais bem acolhida e que ainda se plantam ilhas anônimas de solidariedade! bjs

Franzé Oliveira disse...

Oklá menina Paula, fico feliz por vc. Adoraria conhecer essas pessoas que devem ser um encanto, viu? Acho q vc tb deve ser um encanto, pois todos se encataram com vc. (risos). Bjos cheios de saudade.

Quase Trinta disse...

Linda história Paula... nos mostra que ainda existem pessoas humanas, acolhedoras.
Essas histórias é que fazem a vida valer a pena.

Paulo Palavra disse...

AhAUhauaHuahaUhauahauhAUa
Fantástico isso!!
Tá vendo, depois o povo fala que Brasília é uma cidade fria. Olha que grande mentira!

Dauri Batisti disse...

Esta história será guardada e contada muitas vezes, para se experimentar as varias camadas do sabor.

Um beijo.

Tatiana disse...

Que momento maravilhoso Paula...
Costumo dizer que Deus nos presenteia na vida com pessoas especiais... e pelo visto você foi agraciada com essa dádiva.

Tenha uma semana maravilhosa.
Deixo um beijo muito carinhoso

Betho Sides disse...

Olá minha querida amiga Paulinha...Brasília hem...Aproveite as comemorações de aniversário, que estão realmente bem planejadas e se for a primeira vez, aproveite e conheça esta linda capital do Brasil...Beijão Paulinha.

Mai disse...

Amiga,

Guarde com vc. e escreva tb. se a memória falhar a terás escrita e bem guardada.

Beijos,
Mai

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

O Néctar da Flor mais uma vez homenageia os amigos queridos com mais um selo, onde a magia acontece, seja ela qual for.
Não existem regras, apenas repasse com carinho para aqueles que fazem a mágica da escrita criar vida.



Beijos jogados no ar, sempre!

-

Eurico disse...

Minha vizinha, só vc pra viver essas coisas! Dá um abraçamigo cá do Recife, em todos os teus novos irmãos.

Um chêro!

tossan disse...

Tomara ser eleito
no aconchego
da tua paixão,
tatuar as nossas almas...
é inextinguível,
somos anjos...
Lembra?
tossan

Beijo

Blue disse...

Simplesmente fantástica história! Lindo, lindo, lindo. Acontecem coisas inexplicáveis em nossa vida, com certeza. Beijos

Franzé Oliveira disse...

A moça lembra o pão doce quentinho q mamãe servia, viu? kkkkk. Adorei seu comentário. Eu acho q vc é um encanto. Seu canto no meu canto ta reservado. Sua próxima viagem será realmente Mossoró. Dois dias, em quando vc não descobre que não tenho um canto grande, então vc se manda de volta para o seu canto. Gargalhadas!!!!

Bjos com carinho.

Elcio Tuiribepi disse...

"Que eu me torne brisa e não mais ventania"...

Acho que você lembrou do "Eu vento"
será que me plagiei? rsrs...nem tanto...mas lembra um pouco sim...Memória boa hein!! rsrs...
A sua estória verdadeira aí com o casal...puxa vida, essa viagem está sendo super especial, cheia de bons imprevistos...
A emoção não pode se emocionar...isso é razão...falo sobre isso no poema lá...
Equilibrio talvez seja o correto...
Que os bons imprevistos aí possam continuar acontecendo e te dando a oportunidade de conhecer pessoas interessantes...vc já está em feriado permanente...rsrs..boa terça...um abraço na alma

[ rod ] disse...

Estive em Brasília, há bem menos que 1 ano, por 20 dias e ela me traz boas e más recordações... mas isto sou eu..rss, você com sua graciosa afetividade, fez amigos com certezas para sempre.

Em tempo, conheci um grande amigo blogueiro aí... amigão pra sempre.



Bjs moça,





Novo dogMa:
doreS...


dogMas...
dos atos, fatos e mitos...

http://do-gmas.blogspot.com/

Daniel Savio disse...

Hua, kkk, ha, ha, ainda tem gente assim?!

Mas eu acho que tudo se deu por você dar um simples ato de gentileza...

Fique com Deus, menina Paula.
Um abraço.

Carla disse...

acontecem sim inexplicáveis...e é tão bom quando são feitos de ternura e carinho como esta situação que tu retratas
beijos

Opuntia disse...

Nossa! Fiquei emocionada com essa história. Admiro a sua coragem de aceitar carona de pessoas estranhas, mas nada acontece por acaso, né? Depois, compreendi a hospitalidade do casal. Um é mineiro e o outro capixaba. Sabe, sou mineira de nascimento e capixaba de coração, moro no Espírito Santo desde os cinco anos de idade. Gostaria de ter conhecido esse simpático casal.

Bjos

Everson Russo disse...

Uau,hoje tenho que correr, estive aqui mais cedo, li esse post dos velhinhos e acredito sim, existem pessoas do bem e hospitaleiras nesse mundo, a gente que não tá acostumado a encontra las, é muito gostoso quando alguem nos faz sentir assim né? eu to precisando disso..rs..rs...acho que vou pegar estrada tambem...rs..rs..rs..aiiii, esse sonho é tão distante, mas enfim, adoro pessoas de idade, elas nos transmitem tantas coisas e tanto carinho, alem de experiencia é claro...e completando o inicio, não consegui comentar mais cedo, agora tem outro...rs..rs...vamos lá...beijos no coração e um lindo feriado...

Deusa Odoyá disse...

Olá minha amiga Paula.
Realmente impressionante o elo dessas pessoa com vc.
Coisas de vidas passadas.
as vezes ,não acreditamos, mas essa sua experiência a faz levar a isso.
Pessoas hospitaleiras e como vc, mesmo descreveu, foram te acolhendo sem saber realmente quem eras.
Para e pensa Paulinha, nessa possibilidade de vidas passadas.
Uma semana abençoada por Deus.
Fique na paz.
Muito amor e luz em seus caminhos.
Beijinhos doces, minha amiga.
Regina coeli.