sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

série: entrelace de lembranças




Correu para olhar o pé de pitanga. Quase todos os dia via, durante anos, mas naquela tarde foi observar o pé de pitanga, e se deu conta como as coisas tomam outra forma, outra dimensão, quando ao serem apreciadas lembram outra história, outra pessoa, outro momento. Tomou suco de pitanga e sorriu. Sorriu porque horas antes não quis tomar suco de pitanga. Nem gosta muito. Saboreou o suco de pitanga para brindar a vida. Para guardar na memória as lembranças com sabor.  Suco de pitanga passou a ter gosto de história bem contada. Desde então, pitangas vermelhas no pé lembram ele, o contador de histórias. O (en)cantador da vida. E vai lembrar sempre do quintal da casa da mãe.


05.02.11



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012


Povo na rua, lábios sorridentes
Brilho nos olhos
Purpurinas, lantejoulas
Vai e vem de alegorias
Máscaras!

A vida é um eterno carnaval
Blocos na rua
Tamborim, arlequim
Papangu, caiporas, caboclos de lança
Sorrisos disfarçados
Mãos dadas
Beijos na boca
Máscaras!

Caboclinhos, blocos de cordas
Tambores silenciosos
Corações batendo em surdo
Alegria, folia
Crianças, fantasias
Heróis, fadas, princesas
Vidas em harmonia
Máscaras!

Fantasias, pierrôs, dançarinas, bumba meu boi
Maracatu, passista do frevo
Famílias unidas
Sorrisos
O bêbado solitário
Namoro de carnaval
Lá vem a Alaursa
O ciúme estragou a folia
Chuva fina, quarta-feira de cinzas
O bacalhau do Batata
Recolhe a máscara do carnaval

Dizem que o ano começa depois do carnaval
Impostos para pagar, relações para consertar
Depois da folia
Das estripulias
A vida para viver
Trabalho, estudo, casa para cuidar
Amores antigos, novos amores
Coloca as máscaras
E as fantasias
Vamos brincar de viver!


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Domingo...


Domingo de Carnaval
E o sol aparece
Depois de dias de chuva
Fotografei o sol raiando
Mas não pude gravar os bem-te-vis cantando
Imagine, sinta





(...da varanda)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012



Veio a realidade
Vestida de Carnaval
Interrompendo a folia das ilusões

A fantasia da responsabilidade pesa
Prefiro as asas dos devaneios
Os passos dos pensamentos poéticos
A máscara da poesia
O sorriso da emoção

Prefiro o ritmo dos sonhos
Os disfarces dos sentimentos vestidos de metáforas
As cores dos corações pulsando

A vida chama
É Carnaval!


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Série: Pensamentos em gotas
Parceria de Eder com a minha emoção. Sem intenção de parceria. Ele transforma a emoção que vai em gotas, em um texto, cheios de pensamentos que me traduzem, que ele capta




Muitos me perguntam onde estou, às vezes estou tão longe de mim que se me perdesse não saberia me encontrar e se me encontrasse não sei se eu mesmo me reconheceria. Estou aqui (será mesmo que estou?) sentada, navegando em mares infinitos dos pensamentos, meus, dos outros. Os olhos transbordando um oceano,as ondas batendo em mim sem retirar o seu sal. Estou feito uma garrafa esquecida no bebedouro, ou então, uma garrafa perdida na praia a espera que eu escrevesse alguma mensagem, não sei qual, e a maré... Quem sabe quem a achasse me encontraria.  Muitos me perguntam onde estou, gostaria que me perguntassem quem me achou. Ao mar, a garrafa. Estou aqui sentada, navegando tantos mares, a espera de uma resposta..





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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Quero ser....




Poetas dedilham...
Fornecem sons e rimas as palavras
Dão cor, luz, textura
Tocam em cada palavra formando frases
Que sorriem e choram
Gritam, gemem, se contorcem, pulam

Poetas sonham...
Imaginam, sentem
Transformam palavras
Percorrem frases com beijos
Acariciam estrofes 

Poetas amam...
Palavras e frases
Criam com o poder dos Deuses
Um toque de perfume
Néctar da essência do ser 

Poetas tocam...
Acariciam os pensamentos
Deitam-se com as palavras
Fecundam a imaginação
Parem emoções 

Poetas cheiram....
Pontos, vírgulas, exclamações
Sussurram nas entrelinhas sentimentos
Encontram rimas
Cavalgam cadências
Aceleram e desaceleram o ritmo

Poetas emocionam....
Beijam almas
Abraçam ilusões
Dão vida a vidas

Quero ser um poema!


série: entrelace de lembranças




Não gosto de acordar, adoro dormir. Mas os olhos se abrem. Tenho preguiça de levantar. Então penso naquelas histórias que me fazem acordar. Pulo da cama. Entro em contato com as histórias, acordo as minhas que ainda dormem. Faço fabulações do meu sentir. O sol arde lá fora. Estou livre de mim, fui liberta ao escrever. Mas só porque li, aquelas histórias. O mundo me chama, olho mais uma vez pela janela, o céu brilha um mar. O sol me conta histórias de vida. Depois de ser acordada por dentro, sigo para o mundo. Lá fora tem mais histórias. Volto para dormir, e ao acordar, misturo tudo de novo, as minhas histórias, aquelas, e então crio novas histórias. Confabulações do sentir.







quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012


série: a natureza de um ser




Sinto que ele não me esquece. Que me admira de longe. Me chama. Me provoca. Fico embalada nas  mornas águas. Enquanto ele me procura, espero. Ele nem sabe que espero vir tocar-me em ondas que vão e voltam.  A lua altera o seu humor. Dias ele está mais bravo, dias mais calmo.  Nesta noite de lua clara vejo claramente a minha imagem refletida nas águas escuras. As ondas vem e tentam afogar a imagem refletida, mas ela permanece em pé, firme na areia úmida. Ele me toca, está quente, feito um abraço amigo. Deixo-me tocar, neste vai e vem. Será que ele percebe onde lhe toquei? Existe entre nós esta atração, somos mistério, de águas que vão e vem, que arrebatam feito ondas de emoção.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

série: Entrelace de lembranças




Choro e sorriso se contorcem nos lábios. Lábios, um tatame desta briga insana entre a razão e a emoção. Briga dura. Cruel. Choro e sorriso. Emoção e razão. Passado e futuro. Lembranças e sonhos. Lágrimas, a libertação das emoções presas na garra do tempo. O sorriso, o salvo conduto da vida aprisionada nas lembranças. Satisfação, quando ganha a emoção.




sábado, 4 de fevereiro de 2012

O carro





Está história faz parte da série andarilha. Uma série antiga.
Se alguém quiser ler outros textos da série é só clicar no marcador.



Meu olhar, minha saudade, minhas lembranças. O tempo. As viagens. As estradas. A paisagem grita o seu nome. Comecei a lembrar dos seus poemas, dos seus contos, das suas lembranças. O cavalo. A cerca. A neblina na serra. A Igreja na serra entre a neblina. Estação de trem. O céu azul. A Igreja na praça. A cruz na estrada. A seta com o galo no alto da Igreja. A estrada, as estradas, as suas, as minhas. Um entrelace de lembranças, o seu passado, o meu, as minhas emoções entrelaçadas nas suas histórias. As histórias criando imagens. As imagens criando histórias. Se soubesse desenharia o que você escreve. É muito visual. É olfativo. É tátil. É totalmente sensorial. Me sinto toda. Tem vida. Na incapacidade de desenhar, fotografo. Ilustro mentalmente a sua emoção. As estradas são muitas que bifurcam com as lembranças. O carro, velho, usado, ali parado. Cheio de histórias. Precisava fotografar, o carro me lembrou uma história sua. No silêncio, ele gritou seu nome nas minhas lembranças. Eu e o carro estávamos em Bonito-Mato Grosso, muitas estradas percorremos, eu, o carro, você.  Estradas diferentes, cheias de histórias, que são lembranças, que são saudades, que viram histórias, que são emoções....que são imagens. Neste cenário bonito, eu e suas lembranças, viramos história.



foto: Bonito-Mato Grosso - 2010