Vejo, da janela estreita, o amor do céu com o mar. O céu se deita sobre o mar, escancarado, despojado. O mar se abre, pernas azuis de norte a sul. Quanta beleza.
Nunca sei se o céu beija o mar ou o mar beija o céu. Se beijam, alargando o horizonte. E se tocam com seus azuis vibrantes de paixão.
Sinto, da janela estreita, a brisa desse amor. Cheiro de maresia dos corpos. O céu se aninha ao colo do mar, e sente o cheiro forte, e beija, e se roça. Quanta imaginação.
Escuto, da janela estreita, esses dois amantes, entre sussurros e gemidos. Não há ondas, só a calma do após amor ardente. Encontro de horizontes.
Observo, da janela estreita, os dois fazendo declarações de amor, sem pressa, sem redemoinhos, sem destino certo. Só o encontro perfeito dos azuis, do céu que cheira e beija o mar, e do mar que acolhe imensamente, abrindo os braços de leste a oeste.
Vejo o horizonte sorrindo, sorriso amplo, com esse amor do céu com o mar.
























