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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

série: entrelace de lembranças




Correu para olhar o pé de pitanga. Quase todos os dia via, durante anos, mas naquela tarde foi observar o pé de pitanga, e se deu conta como as coisas tomam outra forma, outra dimensão, quando ao serem apreciadas lembram outra história, outra pessoa, outro momento. Tomou suco de pitanga e sorriu. Sorriu porque horas antes não quis tomar suco de pitanga. Nem gosta muito. Saboreou o suco de pitanga para brindar a vida. Para guardar na memória as lembranças com sabor.  Suco de pitanga passou a ter gosto de história bem contada. Desde então, pitangas vermelhas no pé lembram ele, o contador de histórias. O (en)cantador da vida. E vai lembrar sempre do quintal da casa da mãe.


05.02.11



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

série: entrelace de lembranças




Não gosto de acordar, adoro dormir. Mas os olhos se abrem. Tenho preguiça de levantar. Então penso naquelas histórias que me fazem acordar. Pulo da cama. Entro em contato com as histórias, acordo as minhas que ainda dormem. Faço fabulações do meu sentir. O sol arde lá fora. Estou livre de mim, fui liberta ao escrever. Mas só porque li, aquelas histórias. O mundo me chama, olho mais uma vez pela janela, o céu brilha um mar. O sol me conta histórias de vida. Depois de ser acordada por dentro, sigo para o mundo. Lá fora tem mais histórias. Volto para dormir, e ao acordar, misturo tudo de novo, as minhas histórias, aquelas, e então crio novas histórias. Confabulações do sentir.







segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

série: Entrelace de lembranças




Choro e sorriso se contorcem nos lábios. Lábios, um tatame desta briga insana entre a razão e a emoção. Briga dura. Cruel. Choro e sorriso. Emoção e razão. Passado e futuro. Lembranças e sonhos. Lágrimas, a libertação das emoções presas na garra do tempo. O sorriso, o salvo conduto da vida aprisionada nas lembranças. Satisfação, quando ganha a emoção.




sábado, 28 de janeiro de 2012

Série: Entrelace de lembranças



Uma palavra, apenas uma palavra pode ser suficiente para beijar os olhos, descer macio pela emoção, e trazer a infância de volta.  Gasoso, foi suficiente para fazer rir os olhos, e estes mesmos olhos ficarem marejados. Bombom de gasosa, infância, o bar da esquina, a mãozinha cheia de bombons, a língua toda ferida da acidez do bombom, sentir ele, o bombom, abrindo frestas ao ser chupado. Uma palavra e o gosto bom do bombom, da infância, abrindo frestas nas lembranças, trazendo em borbulha a infância.

E porque o passado a ser visitado, ou o passado que nos visita em lembranças, é  um passado revivido em emoções. Lembranças provocadas por um retrato, por um cheiro de fruta, de comida, de perfume, cheiro de terra molhada, de uma situação vivenciada, por um texto lido, algo simples pode fazer o passado passear por a gente. Uma palavra apenas - gasoso.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Série: Entrelace de lembranças
(Consegui colocar nomes nos personagens.
Achei terrível colocar nomes nos personagens)




Sim, sempre vale a pena ouvir. Era a voz interna dela que ressoava esta frase, confabulando com Geraldo. Como se dissesse baixinho, amigavelmente, sorrindo, repetidamente, sempre vale a pena ouvir. Ela gostava de ouvir as músicas escolhidas por Geraldo, sempre descobria outras melodias escoando de seus sentimentos. Chegou cansada, a noite passada não dormiu bem, sentiu-se mal. Com receio de dormir mal de novo decidiu sair para dançar, extravasar as emoções, suar as ausências. A vontade que sentia de conversar com Thiago, de sentir a mão dele na sua, era sempre motivo para ir para a rua. Na rua, sentia ele mais próximo. Em cada mão que tocava, nos olhos que olhava, nos sorrisos que precisava sorrir, sentia a presença forte dele. Voltava para casa e escrevia, até a presença se dissipar, e ficar preenchida da ausência. Ainda tinha o último dia do ano para lembrar, porque no outro dia seria um novo ano. A ausência dele seria sentida com cheiro de Bvlgari, pour homme.


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

série: Entrelace de lembranças



Dois mil e doze vem chegando. Os shows pirotécnicos nem começaram. É apenas a tarde de trinta de dezembro de 2011. Ele detonou um novo ano dentro dela. Mil novecentos e setenta e nove, ao som de Elvis Presley. As lembranças se misturaram, as dele, as dela. Saudades e lembranças, um composto dentro de nós, composto de nós. Se somos compostos de água, a água das lágrimas é composta de saudades e lembranças, e dançam no salão inclinado das bochechas dela, ao som de Elvis, no ritmo de um passado que se fez presente. Elvis e Dolores Duran dançam Only You.  Ela aprecia os movimentos alternados das emoções, que são vários, e que anunciam antecipadamente um novo ritmo para 2012.