Fui sendo presenteada
Dia após dia
Com o silêncio
Vinha embalado de várias formas
Em papel escuro, não sabia do que se tratava
No outro dia tinha na boca o sabor de saudade
Logo mais ficou com a cor da distância na pele
O silêncio foi indigesto
Me causou alergia
Coçava toda a alma
Ruborizou até a ponta do nariz
O silêncio é furta-cor
Me furta a cor do sorriso
E o sabor dos olhos
Mas foi dado com tanto carinho, imagino
Não precisou usar nenhuma palavra
Para ofertá-lo
Então guardei
Na caixinha de música da mente
Para nunca mais esquecer o som
Que embalava o vazio


