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terça-feira, 3 de dezembro de 2013







Meu querido estava passando pano no chão da cozinha quando começou a tocar My Way, com Frank Sinatra cantando. Parei, aumentei o volume, e lembrei de você. Não, me engano, me lembrei de você, parei, e aumentei o volume do rádio. A ordem aqui altera tudo. Porque My Way atualmente me faz lembrar você, e por isso me fez parar, e me faz sentir alguma coisa diferente do que eu sentiria ao escutar My Way se não lembrasse de você. Enquanto escrevo coloco a música no computador, leio a tradução, e penso, ah, penso que a letra da música em alguns trechos falam por mim. Uma vida. Escolhas, dores, arrependimentos, conquistas, muitas conquistas, mais conquistas que fracassos, mais vitórias que arrependimentos. E fiz do meu jeito, me alegrando com as conquistas, e assumindo os erros das minhas escolhas. De tudo tirando lição de vida, de tudo buscando acertar e viver. E viver, te digo querido, não acho fácil, não acho tão poético como gostaria que fosse.  Mas decidi viver, e vivo.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013







Não vou mais sofrer de saudade. De saudades suas. Nem vou ficar imaginando que podemos um dia fugir. Nem sair pelo mundo. Não vou ficar triste quando pensar que você está  distante. Bem, estes nãos, são tentativas. Se vivo dizendo que você me enche de vida, então vou viver as vidas. Só não prometo que não lhe levarei em pensamento. Então, quando for caminhar na praia, vou lhe levar. Quando for ao cinema, vou lhe levar. Quando for viajar, vou lhe levar. Só coisas que você gosta. Dançar, não sei se você gosta e se sabe e se dançaria. Dançarei pensando em você. Eu só disse que não iria sentir saudades, nem ficar triste. Mas pensar em você, eu ainda vou continuar pensando. Porque pensar em você me enche de vida e de vontade de viver.




sexta-feira, 22 de novembro de 2013






Derrama sobre mim a tua poesia. E faz meu dia mais lindo, mais leve. Você nem sabe o bem que me faz a tua poesia. E nem eu sei porque me faz bem ser banhada por tua poesia. Então, que assim seja. O sentir superando todos os percalços do dia. A tua poesia me devolvendo raízes. A tua poesia me elevando aos céus. Chorar ou sorrir, transformando em asas o sentir.




quinta-feira, 21 de novembro de 2013





E por que pensar em você requer cuidado? Porque o pensamento é traiçoeiro. Ele vai seduzindo. Ele me faz pensar coisas de todos os tipos. E eu penso que posso fotografar barcos com você. Que posso andar pelo cais conversando com você. E que depois eu posso tomar um cappuccino escutando você me falar da sua vida. Dos seus sonhos. Do seu passado. Meu pensamento é faminto de pensar coisas mirabolantes. E eu me pego alimentando o pensamento faminto com ideias irreais. Mas aprendi com Marcelo que não existe impossível. Talvez exista, sei lá. Mas tem coisas que penso em fazer com você que não é tão impossível assim. Conversar com você não é impossível, apenas você talvez não queira. Talvez. Eu nem me arrisco a perguntar se você gostaria de conversar comigo. Vamos fotografar barcos? 


foto: Olinda/2013








Quando você passa jogando poesias para o alto, como quem joga confete e serpentina no carnaval, meu ser sorrir, se faz festa. E penso, como posso lhe esquecer, se todo meu ser é festa? Então, sigo brincando a vida. Você faz cosquinha no lugar que a alma dorme, no estômago.






segunda-feira, 18 de novembro de 2013



Eu não ouviria você. E você sabe disto. Por você, eu não pensaria em você. Sabemos que é perda de tempo. Perda de tempo? Perda de tempo se eu pensar em você querendo viver alguma história de amor. Mas não é perda de tempo, se pensando em você o tempo passa mais leve. Mais bonito. Mais gostoso. E até o pensamento de me tornar assassina, seja de dois pássaros de plásticos, ou do dono deles, isto se desfaz, quando penso que você me ensinaria a ter equilíbrio. Mesmo que eu já tenha mexido com o seu equilíbrio emocional. Mas pensar em você, é quase como ter equilíbrio me equilibrando em fio de alta tensão descascado em dia chuvoso. E aqui nesta cidade tem gente morrendo eletrocutada em fios de alta tensão caídos no chão. Todo cuidado é pouco, ao andar nas ruas da cidade, e ao pensar em você.



domingo, 17 de novembro de 2013





Acordei naquela quinta-feira, véspera de feriado  e decidi que não brigaria mais com o pensamento. Com o pensamento que pensa em você. O pensamento ainda está naquela fase que faz conexão com algo que lembra você, o tempo todo. Então, abri a janela, e foi assim que ouvi o bem-te-vi cantarolando canções de amor, e o sol me deu um abraço gostoso, um abraço igual ao de Sérgio, e o vento me beijou, igual ao beijo que dei na bochecha do pianista. Sai pelas ruas da cidade, e me entreguei ao canto dos pássaros. Era preciso viver. Mesmo que pensando em você. O dia transcorria cheio de histórias, de narrativas vivas, até que dois pássaros de plásticos pousaram cantando na minha sala de trabalho. Isto me tirou do sério, me fez pensar em matar dois pássaros, ou abrir a janela na tentativa que eles voassem, ou jogá-los no mangue, mas eles eram de plástico. Pensei em você, ah, pensei em você. Queria paciência, queria equilíbrio emocional, você tem palavras bonitas sobre isto, mas eu não ouviria, eu sei, eu me conheço. Eu não ouviria....

sábado, 16 de novembro de 2013




E por que penso em você? Assim vivo a seguir os caminhos da vida, sempre com esta pergunta. A resposta é sempre a mesma. Me enche de vida pensar em você. E o quê é me sentir cheia de vida? Aqui o bicho pega. Tem muito viés nesta pergunta. Muito pesponto na resposta. Muitas dobras e bainhas. Parece com minha sai do jardim da infância. Uma saia azul marinho, cheia de pregas. Saia e pregas que eram feitas por minha mãe, colocada embaixo do colchão para fazer os vincos. Ah, viver tem tantos vincos e tantas pregas. E está história de pensar em você se arrasta por anos. Ganha formas de monstros. Ganha formas do espaço sideral. E para piorar a situação, fico agora a pensar porque comparei com a saia do jardim da infância. Lugarzinho que eu detestava, e chorava tanto. E eu tinha medo das freiras. Freiras altas de roupa preta. Parecia um pinguim gigante. E eu adoro a imagem do pinguim. Pensar em você é uma atrapalhada no meu juízo curto. É bom pensar em você. Mas não deveria ser assim, com a intensidade de um pensamento fixo. Com a velocidade de uma bola de tênis. E o pensamento bate forte e arrasta outros pensamentos e arrasta outras lembranças. Pensar em você é re.viver. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013



Sempre penso que você me enche de vida. E a vida está transbordando. E a vida está gritando para ser vivida. Se acalma vida, vou sair por aí, vou viver. Preciso de muitos dias, preciso de disposição, estou cheia de vida, de vida que você me enche. Os pássaros cantam. Me entreguei a eles com vontade de sorrir, então vivi. Encontrei um jovem bebendo aguardante com coca-cola sentando na esquina da rua, era apenas oito e trinta da manhã. E disse sorrindo, tão cedo e bebendo. Ele me sorriu, faltava um dente. Um sorriso bonito. Mas pensei, quem sou eu para falar do vício dele, são só oito e trinta da manhã e eu estou com vontade de comer chocolate. Ele me falou das dores dele. Da morte da mãe quando ele era criança. Falou da mágoa e do mágoa. É, ele falava as palavras no masculino e no feminino. Lembrei de você. Não, você não fala as palavras no masculino e no feminino, você fala dos seres humanos, das  singularidades deles e das dores que cada um carrega. Fala da complexidade de ser humano. E fala da perda da mãe, sim da perda da mãe. Minha mãe vive, então eu não entendo da perda da mãe, entendo da perda do pai. O sol brilhava entre as árvores, esquentava a pele, e eu segui, com vontade de viver, de chorar também por causa da conversa com o jovem que bebia e que tinha tanta sabedoria no seu sentir. Mas adiante encontrei Luan com a avó. Luan só tem dois anos, e a avó, analfabeta, não sabia assinar o nome na requisição do exame, e a avó cuidava do neto, e a avó gritava o tempo todo para o menino ficar quieto. A avó não tinha muita paciência. Penso que entendo a avó. Luan não era tão danado. Ela gritava mais do que ele trelava. A avó de Luan deve estar nas estatísticas dos analfabetos e das avós que cuidam dos netos. A vida nem sempre é justa. Ela criou os filhos, agora cuida do neto. Deveria estar apenas curtindo a vida. Segui, ainda tinha muito a caminhar, ouvindo os pássaros, sentindo o sol na pele, e o vento a amenizar o calor. Surge Lucas numa cadeira de rodas. Falante, pernas atrofiadas, cheio de sorrisos. Talvez tenha uns quatro anos. Estava alegre por ter ganho uma lupa. E com a lupa, dizia ele que tinha achado um caminho. Não sei do que ele brincava, tentei interagir com o caminho achado por ele, mas ele rodopiou a cadeira e seguiu na brincadeira. Acho que ele brincava de detetive, saiu rodando pela farmácia a achar caminhos.  E eu seguia o meu caminho, pensando em você, pensando na vida.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013




Acordei com uma saudade danada
Saudade de você, saudade do Rio de Janeiro
Saudade de mim, de mim quando penso em você
Abro a janela, o sol entra por um cantinho
E mais ágil que o sol, o vento me faz carinho
Choveu na madrugada, não ouvi
Ainda resta o chão molhado
E o vento leve após chuva balança a cortina
Pensei em você
O bem-te-vi canta
Acordei mais cedo que o toque do despertador
O tempo está bonito, leve
Olho o seu sorriso naquela foto, em dia de festa
O seu sorriso me convida a conversar com você
É só mais um sonho em dias que acordo sonhando
O bem-te-vi hoje está danado de saudade
Canta sem parar, faz melodia ao ar livre
O sol me sorri
O vento dança pela casa

Penso em você

quinta-feira, 7 de novembro de 2013





Amanhece para mim. Feito o sol, lindo, brilhante, majestoso. Irradiando luz. Quando você vem amanhecendo, vem trazendo o cheiro do campo, o canto dos pássaros, a beleza de dentro de mim.

Mas se você não amanhece, não tem problemas, anoitece para mim. Feito um céu de fim de tarde, mesclado de azul e rosa, calando o canto dos pássaros e minhas inquietudes, trazendo a despedida do sol poente, a serenidade calma do céu.

Vem feito a noite, trazendo o brilho das estrelas e o teu brilho pulsante, mescla em mim a calma da madrugada e os seus silêncios, traz a lua e as muitas fases dela e do meu olhar, e do meu querer.


Vem, amanhecendo ou anoitecendo, você é sempre o porta-voz da energia do viver.

terça-feira, 5 de novembro de 2013






Ai, como dói este teu amor. Este teu lindo amor. É feito o vento passeando num alpendre de uma casa grande balançando a rede vazia.

Ai, como dói esta tua saudade. Esta enorme saudade. É feito o vento que faz redemoinhos nas terras secas do sertão levantando poeira. 


Ai, como dói as tuas lembranças. Porque estas tuas lembranças é amor e é saudade e é ausência definitiva. É feito vento passando em janela mal fechada, e geme, e geme e uiva, de dor.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013




Passo a cortina ainda úmida, e toda enrugada, porque depois que secar será mais trabalho para deixá-la lisa. Ainda estou com os olhos úmidos das lágrimas choradas minutos antes, quando achei as tuas lembranças. As tuas lembranças são tuas. As lágrimas são minhas. Ou já nem são, das lágrimas tenho apenas os olhos úmidos, elas escorreram. A cortina foi lavada para tirar a sujeira. As lágrimas lavaram e levaram algum sentimento meu. As lembranças são tuas, mas em contato com algo em mim, fizeram brotar lágrimas. Lágrimas que lavam a alma.

Vou pendurar a cortina. Enquanto penduro em um texto qualquer as minhas lembranças.