sábado, 6 de junho de 2009

Do poema, o sentimento. Do sentimento a lágrima, da lágrima o texto. Simbolismos


Do fim a transformação....


Dizer adeus não é fácil. Não, não é. Me despeço da semana, das asas, do jardim, das borboletas....Sabia que esse dia ia chegar. Sabia. Eu sabia. Mas fiquei com os olhos marejando. Fiquei aturdida. Sexta-feira é sempre um dia esperado para comemorar o fim de uma semana. Mas eu não queria parar de voar agora. Sexta-feira, noite chuvosa, guardar as asas e dizer adeus. Veja como são a coisas, tudo é a nossa forma de ver a vida. Uma semana com duas mortes de colegas de trabalho, um menino de treze anos que morreu tomando banho no rio perto do meu trabalho, um avião que some com várias vidas. Mas me senti leve, entrei no mundo da fantasia e transformei meus dias. Tudo depende do ponto de vista. Em vez de ficar triste pela despedida, pelo o adeus podia está comemorando a estrada que se abre. Mas às vezes nos apegamos a algo que consideramos bom, que nos faz nos sentir leve e por isso sofremos. Sofremos pelos simbolismos que criamos. E sofremos pelo novo, pela mudança, sem nem saber como vai ser. Sofremos muitas vezes só de imaginar.
Vou voltar a caminhar. Talvez seja uma estrada de barro. Comendo poeira. Chutando pedras. Me enganchando em arame farpados. Não sei ainda. Parece dolorida essa estrada. Se for muito dolorosa a caminhada, eu posso desistir. Eu sei que posso. Estou fazendo drama. Posso caminhar calada, sem me aprofundar, só observando. Posso ser superficial. Posso? Ainda não. Voar eu gostei...voar é tão bom. Tornou os dias leves. Esqueci as mortes. O enfado da semana. A rotina. Tentei sorrir mais vezes. Parei para escutar. Tentei olhar o olhar. Ouvi música. Dancei. Trouxe a fantasia para o real. Vamos ver se caminho com asas....vou tentar.
Tive uma ideia. Vou tentar caminhar pela estrada de barro, plantando as flores que colhi. Vou tentar colocar asas nas pedras do caminho. Em vez de construir castelos de fantasias, vou tentar outras construções. Pontes pode ser uma boa construção. Vou pensar. Outra idéia, sorrir e alisar os cactos. Poxa, alisar cactos e ainda sorrir não é fácil. Um bom desafio. Será que ele já pensou nisso? Tenho certeza que sim. Ele sabe que gente também tem espinhos. Me alegrei, comecei escrevendo triste. Ele me ajudou, sempre ajuda. Já pensou se mostro a ele que cactos precisam de carinho, e tem frutos bonitos. Alimentam com sua essência, mesmo tendo espinhos.
Ah, talvez fique mais fácil a caminhada. Que alívio! Talvez eu encontre uma saída na estrada de barro. Uma porteira. Hoje é uma linda sexta-feira chuvosa, aconchegante sexta-feira para se ficar em casa e se preparar para a caminhada. Todos tem a capacidade de transformar. De se transformar. Vou tentar....

14 comentários:

Sol da meia noite disse...

Há sempre tanto que pode ser feito para tornar a caminhada mais suave... tanto mesmo.

Amiga, um bom fim de semana.


Um beijinho *

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDA PAULA, BELA CAMINHADA... GOSTEI... ABRAÇOS DE CARINHO E TERNURA,
FERNANDONHA

Amarísio Araújo disse...

E do texto,a emoção!

Paula,

A caminhada,seja qual for a estrada,sejam quais forem os percalços,serve,sempre,para que o corpo,efêmero e precário,levando a alma que nele flutua,nos conduza na aventura da vida,plena de desejos afligidos e sentimentos contraditórios.

Mais um belo e inquietante texto seu,sempre bem acompanhado de imagens perfeitas,que faz dizer:
Como é bom vir aqui!!

Um lindo dia pra você.
Beijos!

Everson Russo disse...

O interessante dessa vida,das despedidas que deixam um vazio dando, é que tudo é ciclico e a gent não se acostuma a isso, quando uma seman se vai, uma outra vem com os mesmos dias,mas cada um tem sua impressão digital, cada borboleta que sobrevoa nosso jardim,vai, e quando volta, provavelmente é outra, dias, noites, sentimentos, podemos escrever em nossos livros de vida o amor diversas vezes em tons e sons diferentes, hora ele prende, outra liberta, outra é peso, outra leve, caminhas é sempre preciso, cada passo é uma trilha que nao volta, segundos que perdemos chorando,são segudos que nao vimos o sol, as estrelas, amores que nos fazem sofrer, são amores que nos impedem de amar de novo, (moro ai), temos sempre que viver tudo intensamente, pois nao sabemos em qual voo nossa espaçonave cai, não sabemos em qual oceano será sepultada toda nossa dor e historia, nossa, seu post hoje foi pra lá de refelxão, vida, dor, alma, e aqui estou eu dando minha neurotica opiniao..rs..rs..rs..Mas enfim, eu costumo dizer, claro que isso não é meu, o passado já foi, o futuro é uma incognita, entao temos só o presente como presente, que façamos dele tudo que pudermos de bem, a nós mesmos e ao nosso semelhante, pois assim, caso o futuro nao nos venha, deixamos uma boa historia, e que nesse caminho que vamos seguindo, enquanto por aqui estivermos, vamos jogando nele petalas de rosas de todas as cores e perfumes, pra colorir a trilha de quem vem a seguir, tambem é uma otima passagem...Quanto ao que voce me perguntou sobre meu post, ou comentou, o amor é meio que isso que postei hoje, prende, liberta, cheio de contradições, é tudo e nada, principio e fim e que a gente sempre encontrae desencontra...desculpe a novela que escrevi aqui...rs..rs..mas é culpa sua, fica me cutucando...e quando quiser, adoraria outro papo "esclarecedor" daqueles..rs..rs..beijos querida, tenha um final de semana na mais pura paz...

Francisco disse...

Faça a tentativa no fim de semana. Senão der certo, na 2a feira estarei na sua janela batendo asas e te esperando para o nosso voo semanal.
Um beijão!

Blue disse...

Cada dia é um novo dia. Até aí, nada de novo, não é! Mas os dias passam, outros virão e vemos que tudo vale a pena.

Mesmo que ficam lágrimas por alguém ter ido para sempre.
Mesmo que ficam tristezas por alguém que passou e deixou apenas um oi.

A vida é um constante caminhar, rumo incerto, com sol, chuva, relâmpagos e trovoadas. É assim nossa vida.

Que a Andarilha Sra. Barros possa caminhar por estradas de barro e ao voltar, nos brindar sempre com bons textos e ótimas fotos!

Beijos com um bom sábado e domingo!!!!

caurosa disse...

Minha cara amiga Paula Barros, só o simples fato de caminhares, terás, certamente, momentos maravilhosos em que fluirá muita energia positiva em tua vida. Que belas imagens fotógraficas! Meus parabéns.

Paz, harmonia e inspiração

Forte abraço

CAurosa

Allyne Alves disse...

Da pra ver que bota sua emoçao, em tudo que faz...Seja assim sempre, e todas as caminhadas serao maravilhosas...

Beijo querida!

tossan disse...

Tua caminhada ainda não terminou.... A realidade te acolhe dizendo que pela frente o horizonte da vida necessita de tuas palavras, do teu soneto e da caminhada perfeita todos os que gostam dela. Beijo

Codinome Beija-Flor disse...

Paula,
Ler seu post, ver os comentários.
Eu poderia (tentar) dizer tantas coisas, mas você já o fez, não apenas na grandeza das palavras, foi muito mais além e perfeito quando diz:
"A capacidade de transformar".
Algo sem dúvida nada fácil, mas depende do nosso querer.
Até a morte é um processo de transformação.
Bjos

paula barros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mai disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mai disse...

Ali onde pensamos ter, apenas, espinhos, brotou uma linda flor - a flor do mandacaru. Naquela estrada de saibro, o barro faz levantar a poeira na seca dos dias mas segui contigo na caminhada de tuas palavras e pudemos chegar ao verde da grama onde uma 'porteira' poderia simbolizar o fim ou o começo porque tudo que se abre, em outra perspectiva se fecha ou fecha para alguma coisa.

Começos são fim e fins são recomeços, Paula.
Você conseguiu com a sua fotografia arte poética com imagens que simbolizaram uma caminhada e, na porteira, diante dela, a possibilidade de parar ou seguir. Eu sigo contigo. Segues?
Vai, eu seguirei.

beijos, querida.
Fica bem.
Carinho e admiração,

Mai

O Sibarita disse...

Fia, Fia... kkkkkkk

Toda caminhada para mudanças nos trás inquietações... Aiaiaiai! kkkk

Porém, tenha a certeza que encarar sem destemor faz parte de um novo horizonte, os cactos fazem apenas parte da uma nova paisagem que se busca, aliás, apesar dos seus espinhos ele é vida e dá vida, mata sede e fome, então, não há o que se temer... alisar os espinhos é somente simbolismo a não ser que queira deixar a mãos em chagas para depuração... Valha-me Deus!
kkkkk

Eita dona moça!

bjs
O Sibarita