quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Passei o dia triste com a morte de mais um blogueiro - Hod. Uma pessoa que achava muito legal, mas que tive pouca aproximação. Uma pessoa que nunca disse que achava legal. E fiquei triste por mim, por minhas limitações.
Achei este texto que falava de morte, escrito em 09.02.09, data da morte do meu sogro.

Cemitério em Brasília



Uma morte não se encerra por si só. Ali em pé, diante daquele corpo inerte, pálido, sem cor de gente, que estava preenchido pelas mortes, ela observava as muitas mortes que flutuavam naquela sala. Mortes que aquela morte reavivava.

“Não adianta morrer, o teu legado será continuar a viver. Viverás em mim enquanto eu viver”. Assim diz a morte, estampada no peito dela.

Ambiente perfumado. Um cheiro irritante de gente viva em dia de festa. A funerária colocou um negócio pendurado na parede que soltava cheiros de tempos em tempos. Programado para confundir o cheiro da morte. E até espantava os vivos que não suportam tanto aroma.

Outras mortes rondavam aquela mente. Feito abelhas em mel. Beija-flores nas flores. Ou moscas nas fezes. Depende. As lembranças nunca morrem. Adormecem. Revivem. Cheiram ou fedem.

Quantos vivos estão mortos dentro de nós para tentar vivermos em paz?

Mas os mortos voltam. Sejam eles mortos morridos ou mortos matados por nós. Não temos domínio sobre as lembranças. Elas voltam através de um estalo na mente feito a madeira verde que grita na fogueira. Nos fazem arder em chamas.

Somos compostos de lembranças. Passados bem vividos ou mal resolvidos. Pensava ela, em pé, diante da vela que queimava e iluminava as lembranças. Recordações. Não adianta negar o passado. Ele existe. Quanto mais se nega, mas ele volta para assombrar o presente. Basta uma brecha na mente, para entrar o cheiro, o tato, o paladar, a visão e as lembranças retornam feito água de enxurrada. Perambulam pelo corpo. Em sonhos, dores, envergaduras, doenças.

Em pé, no cemitério, escorriam lágrimas , por ela, pelos mortos vivos, pelos mortos mortos, pelos vivos vivos e pelos vivos mortos, que ela tentou matar e não conseguiu, ou que tentaram se matar, mas ainda estão vivos.

13 comentários:

tossan disse...

Eu não conheço, mas lamento a perda do colega da blogosfera, que a viagem de volta seja em paz. Beijo

Allyne Alves disse...

Paula. Realmente, não é facil...Apesar de ser uma lei natural, ainda nos é bem complicado de aceita-la....Apesar de sabermos que é o rumo, a continuação da vida, as vezes fica difícil aceitar. Sei que qualquer coisa que eu te disser não mudará a situação. Mas uma coisa eu te garanto...Ele pode te ouvir, te ver, sentir tudo o que voce gostaria de ter dito pra ele e não disse...portanto, caso voce queira poderá dizer. Em pensamento. Calada. No momento que melhor lhe for viavel...Quanto a tristezas, tente ameniza-las...Fará bem pra voce, e também pra ele...

Nosso desencarne (ou morte, que seja) é apenas uma passagem, e o tempo que ficamos separados também é passageiro...

Beijo imenso pra vc querida. Força!

Vivian disse...

...o Hod era uma pessoa muito
espiritualizada, e portanto
descança em paz.

o que nos resta nestas horas,
e vibrarmos na mesma sintonia
e certeza de que um dia seremos
nós a deixar esta matéria frágil
e passível de tantas dores, e
assim ganharmos o universo
nas asas da liberdade.

bj

João do Amor disse...

Paula, só entende a dor de uma perda que um dia perdeu alguém. Mas, Deus sempre está conosco. Quando alguém volta pra Ele é porque com Ele o sofrimento acaba. É assim que penso com relação a ida da minha mãe.
Seja forte. Estamos contigo se precisar de amigos.
Beijos.
João do Amor
Natal - RN.

myra disse...

minha querida paula, nao tive a sorte de conhecer esta amigo, mas morte de alguem querido ou simplemente conhecido é sempre ma enorme tristeza...mas, estara sempre conosco...o espirito nao morre!
beijos tristes,

Dauri Batisti disse...

A pouca aproximação deve ter sido uma bela aproximação. A amizade não necessariamente exige presença constante. Foi o que foi, e houve beleza. Fique alegre.

Tatiana disse...

Realmente uma grande e sentida perda.

Desculpa deixar uma comentário pronto, mas dessa vez é preciso!

Quando um grande compositor brasileiro escreveu com propriedade que “um mais um é sempre mais que dois”, ele já compreendia que caminhando só caminha-se mais rápido, porem aqueles que caminham em grupo vão mais longe.
Em minha postagem no blog, estou contando com os amigos para ajudar uma família.
Se você puder ajudar será maravilhoso.
Um abraço carinhoso

Daniel Savio disse...

Realmente elas vivem em nós, mas não quer dizer que isto seja realmente ruim, pois muitas vezes as suas lembranças nos consolam...

Fique com Deus, menina Paula Barros.
Um abraço.

walter disse...

Que Deus o tenha em Sua infinita misericórdia!

Um abraço sentido amiga Paula!

Walter

▒▓█► JOTA ENE disse...

ººº
Não conheci... mas lamento o desaparecimento de um blogueiro

Eurico disse...

"A morte pertence à Vida,
como pertence o nascimento.
O caminhar tanto está em levantar o pé,
quanto em pousá-lo no chão."

Tagore
in Pássaros Errantes, CCXVII

Abraço fraterno.

Uelton Gomes disse...

Olá Paula.

Que Deus abençõe a Alma do Hod.


Abraços

Mário Lopes disse...

Lamento a perda do seu colega da blogosfera. Todos perdemos quando alguém se despede...
Um até sempre, Hod!
Um beijo terno para si, Paula.