sábado, 20 de agosto de 2011

Esta foto de Rui Pires me fez lembrar o texto abaixo. Encosta do Douro - Portugal.



Apenas 30 minutos de conversa. Enquanto ele falava da Aldeia em Portugal, quase divisa com a Espanha, onde passaria cinco meses, e que iria colher uvas, ia pisar as uvas, ia colher cerejas e pêssegos, sentia um movimento muito estranho dentro de mim. Um movimento de querer estar naquele lugar, que ele falava com muito carinho e muita saudade, entre uvas e pêssegos. Ele, assim feito eu, não gostava do frio. Dizia com os olhos brilhantes e um sorriso nos lábios, que o clima melhor que tem é o de pernambuco.

Ele falava do segundo casamento com um certo desgosto, tinha brigado com a esposa. E eu mesmo compreendendo a dificuldade de um segundo relacionamento, achei por bem dizer-lhe que era necessário exercer a paciência para com a companheira. E no final chegamos a conclusão que apesar de tudo ela lhe fazia companhia, seja em Pernambuco ou em Portugal.

Precisava retomar a minha vida, precisa me despedir. Tomaz ficou, a vontade de continuar conversando ainda se fazia presente. Saí, já tinha ousado em perguntar-lhe se era português. Ousei ainda perguntar-lhe o nome, dizer o meu, apertar-lhe a mão. Pode ser que a gente se encontre, estarei por aqui, alguns dias às 9h outros dias às 10h.

Quando Tomaz me falou da Aldeia, e minha alma que parece aqueles palhacinhos surpresas de aniversário de criança, pulou dentro de mim. Lembrei das muitas vezes que disse ao meu amigo português que gostaria de ver uma Aldeia. E mesmo que as pessoas não entendam que uma turista brasileira queira conhecer uma Aldeia portuguesa, e que nem eu mesma entenda, eu gostaria de ficar uns dias numa Aldeia portuguesa, com os pés descalços, sentindo o chão.

Mas eu também tive vontade de conhecer descendentes de pomeranos lá no Espírito Santo, ou ficar dias e dias nas fazendas que viraram hotéis lá em Venda Nova do Imigrante.

Gosto de estar descalça em qualquer lugar, a qualquer hora do dia.



texto - 17.01.11
Conversei com Tomaz numa sala de fisioterapia.
Estava lendo um livro de um português  e ele falava ao telefone com o filho.
E disse uma frase igual ao do texto que eu lia.
O sotaque português mais a coincidência de dizer a frase, motivou o início da conversa.
Livro - Ainda se Morre em Veneza - Fernando Lopes.
Agosto - Tomaz deve estar colhendo uvas....

4 comentários:

myra disse...

bom dia minha querida Paula, eu toda minha vida andei descalça, somente na Europa, tive que por meias e sapatos, gostei da Italia da França, logico... mas nao do frio:)e nao gostei de por sapatos!...espero que aqui possa de novo andar descalça!!!!
sentir o chao, de pedras, de grama, de areia, de qualquer coisa que nao sejam sapatos:)))))
beijossssssssss

Rui Pires disse...

Que surpresa Paula Barros!
Não estava contando!
Gostei muito desse seu gesto de postar esta foto.
Também gostei muito do texto, muito interessante.
Quanto ao andar descalço, bom estes vinhedos do Douro são um pouco "agrestes" a nível do solo que é muito xistoso, não sei se vcs íam gostar ou se sentir bem andando descaças. Cetramente íam machucar os pés...rsrrsrs..
Beijo e muito obrigado!
RUI

EDER RIBEIRO disse...

Paula, lendo este texto e imaginado a cena de vc com Tomaz vejo tanta beleza e ela advém dessa sua alma ansiando conhecer. Minha querida amiga, admiro-te. Bjos.

tossan® disse...

Como é bom navegar na blogosfera e encontrar amigos assim como a querida Paula e Rui um amigo lá do outro lado do oceano e que gosta de vinho e fotografia como eu. Paula você sim diz coisa com coisa. Vc entende o que falo. Beijo