terça-feira, 9 de abril de 2013


Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.
Antonio Ramos Rosa. Uma voz na Pedra


Era uma tarde de sol. Não esperava nada.  Deitei para ler o jornal como há anos faço, sem grandes pretensões, apenas ler algumas manchetes do jornal, uma ou outra matéria e dar um cochilo. Naquele momento o que mais desejava era o cochilo depois do almoço, reparador das energias, entre os dois horários do expediente.
Abri o jornal e comecei a ler uma matéria sobre dois irmãos que moravam em Passarinho, um bairro de Olinda, e que tocavam. Poderia ser apenas mais uma matéria no jornal, mas não era, mais não foi. Após a leitura o jornal foi posto no chão, próximo à cama, mas ele começou a criar vida, e tinha energia, e as palavras ali dispostas vibravam.
E sem que eu esperasse nada, as palavras falavam comigo, e me chamavam para mais uma leitura, e outra, e outra. Eu não esperava ser aberta, muito menos da forma que aconteceu.
Além de aberta, uma avalanche de mim começou a se derramar dia após dia. Com o passar dos dias, várias de mim saiam por tal abertura. Eu ainda não entendia que tinha sido aberta por palavras. Palavras que tinham vida, que tinham magia. Palavras que acariciavam a menina que me habitava e que brincava com ela como quem brinca de roda. As palavras tinham sonoridade, ritmo, harmonia. Dançavam um dança especial. E foram dançando comigo, e me abrindo, e me fazendo desabrochar para uma nova vida, como uma flor na primavera.
Sem que eu esperasse fui aberta por palavras. Palavras lindas, enfeitadas de emoção, vestidas de sensibilidade. E o que era para ser um cochilo foi um despertar. Após a leitura nunca mais dormi.

7 comentários:

poetaeusou . . . disse...

*
não,
o que eu li,
não são manchetes de jornal,
são palavras coloridas,
sentidas,
um arco-íris de sentimentos !
,
irisadas conchinhas,
deixo,
*

Existe Sempre Um Lugar disse...

Para bens pela criatividade.

Armindo C. Alves disse...

Eu estive aqui. Fiquei, li, senti e saí emocionado com palavras.

Saudades.

:.tossan© disse...

É como os teus textos... É a mesma emoção que sinto. Danço, as vezes choro, mas nunca cochilo. Beijo moça

PS: Sabes algo sobre Vivian? Sumiu...

O Sibarita disse...

Pois é, né? kkk

Quem cochila demais o cachimboa caí e aí já viu né? kkkkkk

Ainda bem que a leitura lhe despertou... kkkk

Porreta!

O Sibarita

EDER RIBEIRO disse...

O bom de um ótimo texto é saber onde ele pode te levar. Paula, esse seu texto me remeteu a um momento da minha vida, o meu começo na leitura. Estava lendo um livro de bang e bang quando um tiro ecoou na rua,´foi como se o que estava escrito tivesse ganhado vida. Essa imagem lendo, e a realidade ganhando vida é tão marcante q me acompanha até hj. Para se ter uma ideia, esse fato aconteceu qdo eu tinha 9 anos. Bjos.

myra disse...

belisssssimo texto!!