sexta-feira, 21 de janeiro de 2011


Estátua de Joaquim Cardoso - Recife


Fruto das minhas observações e análises pessoais, cada vez mais tenho certeza que o escritor é um louco que enlouqueceu por outras vias. Um louco saudável e produtivo, digamos assim.
O escritor consegue colocar o pensamento que ia se desviar e fazê-lo enlouquecer, em linhas retas, com começo, meio e fim. Não necessariamente nesta ordem, ou contendo todos. Para você ver como escrever é um ato complexo do ser e de ser.
O escritor é um artista que representa ele mesmo em diversos papéis. É como se o escritor tivesse várias personas, muitos “eus” dentro do “eu”.
Ele tem muitas vozes. Muitas escutas. Ele altera a realidade. Transforma o real em ficção, quase num processo esquizofrênico de se dividir, de se alterar, e alterar a realidade.
É um psicótico que não apenas fala só, mas fala através de outras vozes. No processo criativo ele pode ser Deus ou o Diabo. Constrói mundos e os destrói. Cria seres de todos os tipos, dos bons aos maus, passando pelos indecisos.
Esta esquizofrenia do seu “eu” que confabula o tempo todo com outros dentro dele, e com outros fora dele, nos fornece uma gama enorme de livros.
A mente é um palco eterno. Entra e sai personagens. E esta possibilidade de sermos muitos e convivermos em sociedade nos dá mais possibilidades para criar.


 

10 comentários:

Ana Lu disse...

Ei Paula! Realmente o escritor é um louco diferente. Acho que seja um louco que sabe aplicar muito bem as suas loucuras, hahaha.
Beijos!

d'Alma disse...

Sendo o Escritor um "depósito" discreto de palavras Vivas, as quais busca incessantemente por entre labirintos e quedas livres, quando se atreve a acordar no meio do abismo, uma levíssima pena acaba por adejar da transformação de uma personagem de pesadelo para uma sensação de leveza e todo o prazer de uma criança!... Até nas autobiografias, essa suavidade da leveza espreita entre o "Eu" de uma infância sempre desejada e o Ego do desafio, da responsabilidade e magia dos senhores das palavras, que as tem como suas para sempre!... Há uma necessidade gigantesca de distinguir os sentimentos, as sensações e o pressentimento de múltiplas respostas que são possíveis ou impossíveis de dar, receber ou substituir por outras possibilidades ou... impossibilidades!... O escritor, acaba por decidir a possibilidade das coisas sem fim ou o previsível início de algo que não chega a começar! Há pequenos universos, assim, sem princípio nem fim, na mente de um verdadeiro escritor!...
Depois, há quem, ao passar por uma escultura, uma Estátua, lhe configure toda uma interpretação, bem ao jeito de um/a Escritor/a!... É a Alma sob todas as formas do olhar tão objectivo quanto subjectivo!


Bom fim de Semana


Abraço

Everson Russo disse...

Lá vem,,,,rs,,rs,,rs,,,já lutei contra o poeta que diz que o poeta mente e finge,,,agora o escritor virou louco...rs..rs...psicotico,,,,só porque a gente que se mete a escrever, fala com a lua, conta estrelas, imagina um horizonte equilibrado, ve o arco iris como uma moldura do mundo, fica observando nuvens bailarinas no ceu, rima amor com travesseiro pra poder sonhar,,,somos loucos? rs..rs..rs...não concordo...somos sonhadores,,,e acreditamos nesse sonho,,,acreditamos que exista sim uma galaxia diferente em algum lugar do sistema solar,,,palavras são faceis de se conduzir, já o olhar não, muito menos o amor,,,esses tem vida propria,,,e nos levam e elevam a momentos diferentes,,,,beijos de bom sabado pra ti....


p.s.sabe? eu tenho tentado mudar o ritmo do Livro com poeminhas pequenos,,,o que voce tem achado?

Pedro disse...

E que se produzam sempre mais loucuras desse tipo!

Elcio Tuiribepi disse...

Oi Paula...
Acho que os poetas tem sede por palavras, fome pelo prazer de escrever...de significar o que os olhos veêm, o que o coração sente, o que as pessoas transmitem
Esse palco enorme fica dentro da gente, já o público são os leitores, os que admiram essa esquizofrenia boa...porque ela é boa...desde que não intervira de forma negativa na vida de ninguém...
Bom fim de semana...boas escritas...
Um abraço na alma
beijo

Maria Dias disse...

Acho q se os escritores não fossem escritores aí sim, seriam loucos.
Imagina um monte de pensamentos soltos, voando dentro de uma cabeça fértil?rs... Acho q não ia prestar!

Beijo

Maria

P.s. Bacana esta fotografia...

BRANCAMAR disse...

Paula,

Adorei o texto.
Sim, eu também acho que o escritor é um louco saudável. Eu gosto de loucos, adoro loucos.
Já viu se fôssemos todos normais ou normalizados como a maior parte da sociedade, que monotonia!

Beijinhos
Branca

Maria disse...

Paula

Estou de acordo contigo, quase na totalidade. Porque conheço alguns escritores que são exactamente assim, como tu dizes, outros nem tanto.
Mas... que dizer dos poetas? Serão eles uns 'fingidores' ou gente sofrida que transforma a própria dor em palavra, que exorciza o desgosto em palavra?
Pergunto-me tantas vezes...

Beijos de saudades.

Dauri Batisti disse...

Bonita reflexão e análise esta Paula; pode ser assim mesmo. Toda arte propõe outro mundo, resiste a este, quer transformá-lo.

Beijo

Daniel Savio disse...

Então é uma mundo de vários eus habitando o meus corpo, um mundo vivo e vibrante.

Fique com Deus, menina Paula Barros.
Um abraço.