segunda-feira, 4 de abril de 2011


O que escorre dos meus olhos quando te bebo? Está água salgada de mar, que me inunda o peito. Escorre dos meus olhos uma parte de mim. Talvez o muito do que eu gostaria de ser. O muito do que nunca serei. Não sei o que me escorre.
Talvez a criança que fica distante, cada dia mais distante. A criança que não fui, em espontaneidade. O adulto que não serei. Mesmo tentando ser.
Por que só quando te bebo encharcam meus olhos assim? Talvez seja a adulta que ainda sonha. São tantos os talvez, e eu me confundo. E meus olhos viram mar. São tantos rios desaguando em mim. O mar transborda e vasa minhas águas salgadas e doces.

5 comentários:

Tatiana disse...

É assim Paula quando nos tomamos em admiração pela grandeza do próximo! Nos deixamos ficar encantados e emocionados.

A criança em nós aflora com a inocência de sua essência!

Beijos com muito carinho

Blue disse...

Por isso nunca podemos dizer: desta água não beberei!

A única cereza é que se ontem criança fomos, hoje adultos sonhamos como crinaça!

Beijo

mfc disse...

Continua a escrever e a sonhar assim.
Um dia alcançaremos o sonho.

Samaryna disse...

Paula, nós um dia, mar, o outro dia, rio, e um dia qualquer, talvez. Teu texto me fez pensar nas várias possibilidade do sentir. Deixo o meu afeto.

myra disse...

é sim, nao se deve dizer desta agua nao beberei...eu disse isto anos atràs, que aqui nao poderia viver nunca ( qdo vim de turista com minha filha)e, eis que aqui estou...
como gosto do geito que voce diz as coisas...
beijos