segunda-feira, 11 de julho de 2011



Benedita era nordestina, trabalhadora, e sonhadora. Admirava o fruto do mandacaru. Via beleza no vermelho do fruto, contrastando com o verde do mandacaru e com o azul celeste do céu do seu sertão. De tanto admirar, vivia a se furar nos espinhos do mandacaru, porque chegava perto demais.

Um dia sonhou que o mandacaru tinha sentimentos e no sonho ele falava, dizia com a voz grossa, voz de trovão em dia de tempestade, parecendo estar enraivecido, que não entendia aquela admiração tão intensa. Ele, quase gritando, dizia ser apenas um mandacaru e que tinha espinhos, e que muitas vezes furava ela para que ela não se aproximasse, porque eles eram de naturezas diferentes e ela invadia o canteiro dele, incomodando o seu sossego.

Acordou assustada com a veracidade do sonho e a forma como o mandacaru falava, com tanto rancor. Ela ficou triste.  Ele nem se dava conta dos seus lindos frutos, motivo pelo qual ela perdia-se em admiração. Por isso, ficava horas sentada bem próxima ao mandacaru, para sentir de perto a cor dos seus frutos.




foto: no meu trabalho - 2009
texto: 02.03.11

9 comentários:

Nanda Assis disse...

interessante essa história!!

bjos...

Gilmara Wolkartt disse...

Amei o conto, que é praticamente uma parábola.
Acho que os que dão espinhos tb dão flores.
Gd beijo

Maria disse...

Aqui temos 'figos' de piteira. Idênticos, também com picos. São bons de comer, menos de descascar.
Jamais pensaria escrever sobre estes figos. Mas tu fizeste uma estória com sentimento dentro... apesar dos picos.

Um beijo, Paula.

sahuaro disse...

"para bom entendedor meia palavra basta"
belo recado

myra disse...

gostei desta historia, que tbem ensenha muito!
e as fotos sao otimas, beijos minha querida paula,

Antonio Herrero disse...

Eu gosto de quando leio algo das coisas simples do nosso vasto interior brasileiro, mandacaru sertão nordestino, uma planta que persiste em sobreviver nesta região tão castigada pela seca.
GOSTEI DESTE TEXTO.

EDER RIBEIRO disse...

Paula, a foto é belíssima. Agora. A parábola do seu texto é divina. Às vezes nos perdemos em nossa rigidez e não atentamos para o que de belo há em nós. Não tem como não crescer a admiração que tenho dos seus escritos, pois eles transmite tantas certezas. Bjos.

Everson Russo disse...

É o amor estampado na pele, mesmo com o perigo dos espinhos, vale a pena continuar amando, apreciando, observando...grande beijo de bom dia pra ti querida.

Memória de Elefante disse...

O amor, como as palavras, se disfarça em doces armadilhas ou lâminas mortais.

Abraço!