domingo, 4 de novembro de 2012

Recado da saudade



 Um conto (inventado, sentido)




Filho, gostaria de te abraçar, sentir o calor do teu corpo. Ouvir de novo a tua voz macia me chamando de mãe. Dizendo que estava ao meu lado. Eu te ouvia filho, mas não  podia falar, não conseguia, mas tentava expressar de alguma forma que estava te ouvindo, e que muito te amava. Ainda te escuto, filho, mas continuo sem conseguir falar. E continuo a te amar. Estou bem, mesmo que você não me veja, eu te vejo, sei dos teus passos, dos teus atos, dos teus anseios. Acalma o teu coração, sei que você me ama, a cada dia mais, sei que você não me esqueceu, nem nunca me esquecerá. A cada lembrança tua,  me emociono. Tento mandar mensagens através do vento. Gostaria muito que o vento tocasse o teu rosto feito eu tocava, ou acariciasse os teus cabelos feito eu acariciava. Estou bem, também sinto saudades. Alguém distante consegue captar o que sinto. Ou pelo menos consegue imaginar. E tenta traduzir para você. O meu amor, a minha saudade. Ela está em sintonia com a tua dor, com a tua saudade que a minha ausência causa. Você não está só, ela te acompanha, eu te acompanho. Embora você não possa nos sentir, nem nos ver. Estamos juntas nesta sua caminhada de saudade, de lembranças, de inquietações, cada uma de maneira diferente. Digo te amo, infinitas vezes ao dia. A cada alvorecer, a cada pôr do sol, nos cânticos dos pássaros, no vento que embala as folhas, no aroma de flores que te chega, na luz da vela que queima, nos sorrisos das crianças. Também sinto saudades. Quando olhares os orvalhos nas plantas,  lembra dos meus olhos marejados de emoção ao escutar o que você me dizia. Quando olhares o reflexo do sol no mar, lembra do brilho dos meus olhos ao ler o que você escrevia. Hoje estou distante fisicamente, mas estou tão próxima de você, que você nem imagina. Você me mantém ao seu lado, porque na tua fortaleza és frágil, e estou por perto, zelando por você. Canta filho, eu escuto. Olhas o céu a noite, e me sinta. Sinta o meu abraço apertado,  mantendo seu corpo junto ao meu. E se quiseres chorar, chores, beijarei tuas lágrimas. Carinho de mãe é a flor que me define. Não esqueça. Quando a olhares, sorria, eu sorrirei para ti.



(Um conto inacabado, porque amor de mãe não tem fim)



12 comentários:

Tatiana Moreira disse...

O meu coração de mãe se emociona ao ler algo tão encantado assim...
Filho é algo que não há palavras nesse mundo que decreva. É o nosso bem maior!
Sinta-se carinhosamente abraçada por mim!

Vivian disse...

...deixo beijos emocionados,
sentidos, encantados
com tanta ternura
que vejo aqui!!

bjs de mãe para mãe!

muahhhhhhhhhhhhhhh

Paulo Francisco de Araujo disse...

Eu fiquei angustiado. Muito angustiado...

Um beijo.

Uma aprendiz disse...

Dizem que nada supera a perda de um filho. Deus tem me livrado desta dor.
Já tive outras. Perde alguém querido é doido demais.
Perder dói.
Não sei se é o foco do texto, mas senti como se fosse. Estar longe do convívio pode ser doplorido também.
Mas a vida segue e temos que nos reorganizar. Olhar em frente e caminhar. Caminhar, caminhar.....
Não podemos deixar de viver o que nos foi posto e dado em função do que já foi vivido.
Cada um de nós tem sua porção a ser vivida.
Nenhuma forma de amor tem fim.

beijos

EDER RIBEIRO disse...

Paula, é por ser mãe q vejo tanta veracidade nesse conto. Triste como toda separação, mais ainda por ser entre mãe e filho. Vc tá fazendo falta aqui, viu! Bjos.

Sotnas disse...

Olá Paula, e que tudo esteja bem contigo!

Texto de expressivo sentimento, apesar da dor expressada, encanta pelo intenso sentir em cada palavra escrita, parabéns e obrigado por compartilhar teus mais nobres sentimentos com os amigos, um belíssimo texto!
E grato por tua amizade eu desejo que teu viver seja de intensa felicidade, abraços e até mais!

Anônimo disse...

"se há veracidade nela - e é claro que a história é verdadeira embora
inventada - que cada um a reconheça em si mesmo"
Clarice Lispector

Everson Russo disse...

Essa saudade que dói no peito e na alma,,,eu acredito sempre que saudade não tem mesmo juízo....beijos amiga e uma bela noite pra ti.

sérgio figueiredo disse...

Bem Haja por seres a mãe que és. o teu filho espera por ti... mas sabe que ainda não podes, ainda tens algo a fazer.

bj...nho

O Sibarita disse...

Ô Fia! PORRETA, belo texto, só quem é mãe sabe o que é a saudade de um filho que desencarnou, o texto induz pensar assim.

Não sei se é ficção, mas, fica muito claro também que não é, ou seja, é real.

Conto ou realidade, isso, principalmente quero dizer que a luz do espíritismo Kardecista, com certeza ele lhe ver sim, o seu sentir da presença dele é a certeza que ele está ao seu lado e lhe vendo.

Como todos somos médiuns, uns com mais sensibilidade que outros, quem sabe vc o não o veja ou se não já viu, é possível que sim!

Ao certo, um excelente texto saído das entranhas de uma mãe super zelosa, parabéns!

O Sibarita

Paula Barros disse...

A história é inventada. Eu não tenho poderes mediúnicos. Eu nunca perdi uma filho.
Gostei muito do que o anônimo disse, ao citar Clarice Lispector.
Obrigada a todos que interagiram com o texto e fizeram algumas colocações.
Sibarita, o seu pensamento está correto, porém é um conto.

O Sibarita disse...

Pois é moça! Seu conto ficção é tão bem bolado que me pareceu real, de qualquer forma se torna real porque quantas mães que perderam seus filhos não gostariam de ter escrever este conto?

O Sibarita