segunda-feira, 29 de novembro de 2010

da série andarilha.
Esta série surgiu já faz algum tempo. Clicando no marcador tem outros textos da mesma série. Os textos  não tem uma ordem cronológica, nem interligação. Apenas são dramatizados pela minha emoção.


Abri a janela. Respirei profundo. Pude ver pela janela que hoje tinha espetáculo. Segurei com as mãos do sufoco, a fala para não falar. Apertei de encontro ao peito a emoção. Suspendi o ar do tempo. Não respirei mais, por alguns segundos.

Da janela aberta pude ver o espetáculo. Mas de respiração presa, prendi também a emoção. Era preciso olhar sem acenar. Era preciso sentir sem extravasar. Era preciso aplaudir para dentro, sem vibração de nenhum músculo.

Da janela aberta escutava o som do coração que fazia acrobacia. O oxigênio inalado logo se transformou em gás carbônico, ficou retido nas persianas da janela. Não emiti nenhum esboço de vida, não deixei as palavras falaram nada, assisti o espetáculo muda. Sem aplausos.

domingo, 28 de novembro de 2010

Sonhos Despedaçados

Neste post venho num trabalho em dupla. Título e tela de Antonio Carlos, texto meu.
Este foi o comentário e logo depois surgiu o que escrevi.
Você conseguiu fazer Sonhos Despedaçados, bem colorido, e os traços dão sensação de leveza.
Mas depois fiquei pensando, geralmente sonhos são coloridos, são cheios de vida e de energia boa, mesmo que despedaçados, serão pedaços coloridos.



Sonhos despedaçados

Quando o casamento acabou, mesmo com toda a dor, tristeza, medo, decepção, ela não quis rasgar as fotos nem destruir a fita cassete da cerimônia do casamento. Ali estavam registrados momentos de sonhos. Era uma vida registrada em fotos e fita que poderiam ser destruídos. Rasgados com todo furor, entre lágrimas e ódio. Ou picotados com tesoura em pedaços pequenos na tentativa de destilar toda a raiva e frustração. Aquela cena de destruição, poderia ajudar num momento de tristeza profunda, de dor imensa, mas a sua memória não seria apagada. Os momentos de sonhos não iam se dissipar feito nuvens em céu azul num dia de verão.

Os momentos vividos estavam eternizados em seu sentir. Para onde ela fosse eles iriam. O seu maior sonho era a filha, e a filha com os olhinhos pretos, estava viva, estava bem, e seria o elo eterno com o passado. Mas era vida para se viver intensamente o presente, para se projetar um futuro, e continuar sonhando.
Mesmo com os sonhos despedaçados, e os sentimentos em pedaços, decidiu juntar os pedaços coloridos de si mesma, da sua vida, do seu passado, e transformar em novos traçados coloridos.
Se sonhos são coloridos, os pedaços são coloridos, mesmo que recortados em mil pedaços, mesmo que despedaçados e colados com rejunto preto. Serão pedaços coloridos de um sonho colorido.





Fica o convite para visitarem o blog de Antonio Carlos   http://charcoaaldrawing.blogspot.com/
Um Galeria Virtual.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010



Ancora em teu peito
A corda que nos liga

Ancora na alma
O meu carinho

Sente chegar em teu cais
Os meus desejos

Na partida
Não desate todos os nós
Que nos ligam

Nem deixe naufragar
As boas lembranças

Parte
Segue a tua vida em mar aberto
Sentido os ventos ofertados
Enfrentando as ondas

Lembra
Estou em algum lugar dentro de ti
Porque já ancorei um dia o meu carinho
Na tua emoção






segunda-feira, 22 de novembro de 2010


O tempo árido
De sangrar nariz
Trazia o desagradável vento seco
Insensível ao meu vazio

O céu azulejado
Tingido de longitude
Me lembrava a distância que nos separa

Uma poeira esperta
Confundia os pensamentos
Fazendo sentir saudade do não vivido
E lembrar do desconhecido



Em cada degrau da escada
Uma pegada de saudade
Que pena
Não estas aqui
No alto da escada
Os redemoinhos de vento
Secos, vazios, tontos
Traziam grãos caídos do céu azul
Que arranhavam os olhos
E aumentavam a vontade de ti





Fotos Portugal - Alentejo
(Monsaraz e talvez de Alandroal - não tenho certeza)


sábado, 20 de novembro de 2010

Conheci Armindo

Armindo, é um dos fotógrafos que fotografa a natureza que muito me emociona. Quase não usa a palavra escrita. Quando usa num comentário é sempre muito emotivo, introspectivo, poético. Nas fotos me faz imaginar a conecção dele com a natureza. A observação. O silêncio. A paciência.

É um dos fotógrafos que tem blog que me desperta vontade de fotografar a natureza. Dias antes de viajar para Portugal vi uma foto dele que lembrava essas flores. Quando cheguei no Lago Alqueva vi estas flores......Armindo se fazia presente.


Ele me despertou o olhar para fotos usando ação da máquina em macro. Então em Portugal comecei a tentar bater fotos em macro. Paciência não é muito uma característica que me acompanhe. Tentei.


O girasol me fez lembrar também fotos dele.

Um dia sozinha no Convento da Cartuxa em Évora, depois de dias nos desencontrando nas tentativas de nos falarmos ao telefone, esta borboleta me sobrevoou, quase pousa em mim, e pousou no chão, bem próxima onde eu estava......senti Armindo bem próximo. Ele fotografa borboletas com muita beleza.
 

Em Vila Viçosa, flores,  abelhas voando, abelhas que pousavam rapidamente, mais uma vez o exercício da aproximação, da calma, da observação, da paciência....mais uma tentativa de macro.

Vinte dias se passaram e nós quase não conseguíamos nos falar. Indo para o aeroporto, entre outras mensagens e ligações, enviei uma mensagem para ele, dizendo o quanto eu sentia ter estado em Portugal, tão perto dele, e não conhecê-lo. Ele foi ao aeroporto faltando uma hora para o meu embarque. Já não acreditva  nesse encontro. 

Estava ali o homem que fotografa a natureza. O homem que olha com paciência, com calma, com observação. E eu me sentia uma bela borboleta, o mais belo pássaro preste a voar...mais eu podia ser um calango, deu tempo ele me falar da beleza que o calango tem.....porque ele olha com o olhar de ver....e ele faz silêncio para escutar.....e ele fala com emoção....

Viagei. Armindo continuo comigo. Ele seguiu pelas belezas de Bonito e do Pantanal. Sei como ele gostaria de estar ali, vendo aquela diversidade de aves e de animais.

(Gostaria de registrar uma obsevação - quem acompanha o blog sabe o quanto a maioria de vocês me influenciam na escrita e nas fotografias. Nas leituras que faço. Na vida real. Muitos estiveram comigo o tempo todo. Assim como Armindo esteve. )

http://armindoalves.blogspot.com/


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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Carregando os pensamentos

Foto do Mosteiro dos Jerónimos - Lisboa



Um dia depois da missa, ele tirou o hábito, desceu profundo em sua alma, tomou em suas mãos os pensamentos e os escreveu.

Levantou o cálice das suas lembranças e as bebeu. Subiu nos redemoinhos das saudades. Suspirou cansado. Dormiu depois do terceiro ato.

Acordou. Era um novo dia. Vestiu o hábito, rezou a missa. Como se nada tivesse acontecido.

Criador e criatura habitam o mesmo hábito. Estão sentados na mesma cadeira, onde há de vir novos pensamentos.

Eis que no sétimo dia, sua obra ainda não estava concluída. Enquanto houver vida, haverá pensamentos, angústias, que sairão em palavras até os últimos dias.


15.11.10


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Fliporto - minha avaliação



A Feira Literária de Pernambuco esteve mais próxima do povo. Esteve literalmente na praça. Se houve interesses políticos partidários para tal mudança, não sei, não ouvi falar, não li nada sobre o assunto. Embora não duvide, bem sabemos que nada sabemos dos motivos que sempre estão por trás de mudanças desta natureza.
O que percebi, senti, observei é que a mudança trouxe a aproximação da literatura, da cultura pernambucana, nacional e internacional para perto do povo.
Foram palestras, feira do livro, poesia declamadas, músicas.... o povo circulando junto com a literatura, com a cultura.
Imortais das mais diversas academias de letras circulando com os mortais. Mortais de todos os tipos, mortos de fome de ler, conhecer, ver, de serem ouvidos. Até os mortos de fome de comida, de atenção básica nas políticas públicas para a saúde, saneamento, moradia e educação estavam circulando neste evento.

Todos num mesmo ambiente. Palestras pagas, ao preço de R$ 5,00 (cinco reais) e a mesma palestra passando em telão e televisões, num ambiente agradável, de forma gratuita.








Muitas pessoas circulando o dia todo. Observando, pegando em livros, comprando, ouvindo histórias. Teve tendas com atividades culturais para crianças. Famílias com seus filhos num ambiente onde se vivia e respirava cultura.

No meu ponto de vista, na minha análise, acho que foi um grande avanço para Pernambuco aproximar este tipo de evento da população.
Quantos podem ir a Porto de Galinhas? Quantos podem se hospedar em Porto de Galinhas?

Num país com alto índice de analfabetismo, com políticas públicas voltadas para a educação com ações deficitárias, equivocadas, onde as academias de letras estão distante da população, salvo algumas ações pontuais, temos então um evento de literatura valorizando os escritores do estado e trazendo escritores de outros estados e de outros países, com uma proposta de abrir o diálogo e a participação.
Para mim foi um grande avanço, e ficou melhor para que eu pudesse participar. Ouvi o mesmo de outras pessoas. Espero que esta mudança seja definitiva e sempre com propostas de melhorias para aproximar mais e mais a cultura em suas diversas formas do povo.

A música no coração da poesia (e vice-versa)
Marcus Accioly, com César Barreto


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Tem uma homenagem para mim neste blog http://goldinnatura.blogspot.com/2010/11/cais.html

Poema e uma foto que tirei em Porto - Portugal.
Junto com uma foto de Eduardo Poisl
Obrigada Tossan!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

FLIPORTO


                             Convento de São Franciso - Praça do Carmo

"Em seis anos dedicados ao debate da literatura, A fliporto se consolida enquanto o lugar da mediação e da convergência de discussões em torno de nossa construção cultural. É o espaço ideal para debater as novas configurações identitárias, a própria conformação do povo brasileiro e os grandes dilemas e conflitos contemporâneos.
O encontro - que esse ano deixa o balneário Porto de Galinhas para se intitular Festa Literária Internacional de Pernambuco – presta ainda uma justa homenagem à escritora Clarice Lispector. Além da mudança de nome, a Fliporto 2010 muda de residência coerentemente migrando para Olinda, emblemática como patrimônio histórico e cultural da humanidade. Sua marca se transfigura preservando a essência do ‘porto’, o espaço em que viajantes e nativos se misturam, trocando suas riquezas e misturando artefatos. É o maior porto literário do nosso vasto mar cultural que é o Nordeste.

Sob o tema Literatura e Presença Judaica no Mundo Ibero-americano, a sexta edição recebe entre os nobres ‘marinheiros’ os autores brasileiros Arnaldo Niskier e Moacyr Scliar. Entre os especialistas em Clarice Lispector estão os biógrafos Nádia Gotlib e o americano Benjamin Moser, esse último responsável por “Clarice,”, lançado em 2009. Além deles há os nomes de François Jullien, Marck Dery, Camille Paglia, Ricardo Piglia, Alberto Manguel, Richard Zimler, Ronaldo Vainfas, Contardo Calligaris, Ronaldo Wrobel, Adriana Armony e Guilherme Fiúza. Os pernambucanos José Luiz Mota Menezes e Luzilá Gonçalves também participam da festa.

Cinema, artes plásticas, música e tecnologia também encontram amplo debate na Fliporto 2010. Hoje, a Fliporto se impõe enquanto um evento dinâmico, que envolve toda a comunidade literária de Pernambuco e dos estados vizinhos, oferecendo uma intensa programação alinhada ao melhor de nossas letras. "


Texto informativo retirado do site www.fliporto.net
Onde vocês podem consultar a programação e assistir as palestras.


 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Oceanário de Lisboa





Nesta postagem sobre o Oceanário de Lisboa aproveito para falar que conheci Iana. Uma brasileira do sul do Brasil que mora em Lisboa. Conheci Iana através do blog http://iana-rosaepoemas.blogspot.com/. Uma mulher romântica, que enfrentou muitas dificuldades, soube lutar e vencer. Acompanhei o blog dela por um bom tempo, depois naturalmente nos afastamos, e com a ida a  Portugal lembrei de avisar a ela. Nos falávamos ao telefone, trocávamos mensagens e quando estive em Lisboa ela foi me visitar no hotel. Um bate papo rápido mais muito interessante, caloroso. Ela vai me cobrar as fotos rsrs

E porquê o oceanário me lembrou Iana? Pela cor dos olhos dela. Não são da cor do mar.  Mas são belíssimos. Fiquei impressionada com a beleza do oceanário e fiquei impressionada com a beleza dos olhos dela.


Gosto de observar os pinguins.





Este peixe é bem diferente.
Enquanto no Pantanal fotografei tuiuiu de barro pensando que fosse de verdade, este anfíbio pensei ser de cerâmica, e fiquei esperando até ele se mexer. Parece pintado a mão.

Este é o peixe palhaço.

"No Oceanário de Lisboa, os 4 habitats representados, convergem para o centro do edifício dando corpo ao conceito de unicidade dos oceanos. A decoração de cada habitat prolonga-se pelo tanque central, criando a ilusão que estamos perante um só aquário, um só oceano. Na realidade, janelas de acrílico dividem os 4 habitats do tanque central, provocando no entanto a sensação de que todos os seres vivos se movimentam numa única massa de água salgada."

Lá encontramos vários trechos da poesia de Sophia de Melo Brayner Andresen, fato que me chamou a atenção.

Quem não pode visitar pessoalmente pode fazê-lo virtualmente http://www.oceanario.pt/


sábado, 6 de novembro de 2010





Tempo? Estás sem tempo?
Se me disseste algo assim
Me olhando nos olhos
Te ouviria
Mas te ouviria inquieta
E procuraria saber mais e mais
Sobre o teu tempo

Tempo! Tão questionável
Como é questionável a falta de tempo
O que fazemos do nosso tempo
Quais as nossas prioridades
Como o estamos usando? O Tempo.

Ah! Sinto saudades tuas
O teu silêncio não me diz nada mais
Do que da tua ausência
Do teu esquecimento

Seria muito pequeno para mim
Acreditar na tua falta de tempo
Se no teu tempo não cabe
Uma palavra, um aceno, um olhar
Para mim

No tempo do tempo
Não adianta imaginar que estou no teu pensamento
Se para mim estás ausente

Estás presente no meu tempo
Nas minhas palavras
No meu olhar
Na minha saudade
No meu carinho
É na ausência, onde mais te fazes presente

terça-feira, 2 de novembro de 2010


Templo Diana - Évora



Revendo fotos de Portugal para postar, vendo registrado mais um sonho realizado. Estou perdida em tantas fotos (mais de seis mil, bem que Carlos dizia: você está batendo muitas fotos rsrs), mas perdida mesmo em saudades, lembranças.

Foram tantos lugares visitados. Évora, Monsaraz, Vila Viçosa, Lisboa, Guimarães, Braga, Barcelos, Viana do Castelo, Óbidos, Leiria, Fátima, Estoril, Cascais, Porto, Ericeira, Mafra, Sintra. Vigo e Santiago de Compostela na Espanha.


Chegou setembro

Um dia perguntei
Qual o mês bom para ir a Portugal?
E nas descrições dos meses e do tempo por lá
Disse, então vou em setembro

Me enviaram fotos, músicas, histórias
No pensamento a imagem ia se delineando
Era um sonho que parecia ainda tão distante


Por vezes me assusto com a força do meu pensamento
Das minhas palavras
Ditas assim, ao sabor da emoção
Soltas ao vento
Tão presas em vontades

Chegou setembro
Mais um sonho a se realizar
Mais um pensamento que se torna real

Chegou setembro
Com o vento soprando sonhos
04.09.10


Queijadas de Évora.

É uma delícia a queijada
É uma delícia ser bem recebida-acolhida
É uma delícia realizar sonhos....