quarta-feira, 29 de junho de 2011

Amar....




....e o que poderia ser fácil, se torna difícil.
E o que poderia ser simples é complexo.

Porque é preciso outros verbos para conjugar amar
...doar, compartilhar, compreender, perdoar...


...e mais verbos fariam parte do amar..




(achei este comentário que fiz no blog de Jacinta)
24.04.11
foto: Chapada dos Veadeiros
Alto Paríso-GO







terça-feira, 28 de junho de 2011

Você se foi


Meu tosco coração não bate, gesticula-se em movimentos lentos, pulsando uma dor infindável. Você foi embora, porém permanece em toda parte, nas cores da parede do quarto, no desenho da capa do sofá, nas dobraduras dos lençóis da cama. Você se foi e deixou os seus livros românticos com finais felizes, histórias que não nos pertenceram. A tua poesia escorre pelo chuveiro toda vez que eu vou tomar banho. Por que você não foi por inteira.

Você se foi, eu não preciso do inverno para me sentir frio, a sua falta dura mais que uma estação. Estaciono na porta de entrada, gélido, com o olhar petrificado na esperança que o vento lhe traga, olho para o céu e não é estrela que vejo, a desesperança brilha no negro céu, nenhuma brisa de alento sinto. O peitoral da janela é encosto para o meu desespero e eu não consigo derramar nenhuma lágrima, acho que desaprendi a sentir assim que você se foi.

Você não volta, essa demora me deixa atordoado. Acho algo que lhe pertencia nas gavetas dos móveis, cópias dos seus escritos estão por toda a casa, nos livros que pego para reler. Sua presença está em mim. Em todas as lembranças, nas noites inquietas, no amanhecer ao som dos pássaros, no que há de mais belo na natureza.
Ontem, na porta de entrada encontrei uma chave caída no chão. De quem será? Qual a porta que abre? Que importa isso agora. Que diferença faz. Você soube abrir muitas portas, a principal, a do meu coração. Você se foi, agora, mais nenhuma chave abre a porta do meu coração. Nem sei se meu coração tem porta, ou é algo mais fechado, compacto, uma caixa lacrada com formato de coração presa em um cubo de gelo. Uma vez senti meu coração saltitando dentro desta caixa por causa da melodia de algumas palavras bonitas. Suas? Não sei, precisaria muito mais do que palavras para o degelo. Mas palavras não têm dono, pertence ao mundo, e meu coração se fechou de novo. Outra vez senti meu coração suspirando, eram uns olhos que me olharam de uma forma especial. Uns olhos que penetravam os meus. Uns olhos que pareciam espelhos de cristal e me vi refletido. Mas os olhos ficaram e eu tive que partir. Meu coração continua fechado, deve ter uma trave que o trancou por dentro. Para abrir não sei como se processa. Nem sei se precisará de um picador de gelo. Coração só se abre por descuido. Mas se fecha também por descuido. E a sua partida foi um dos maiores descuidos que meu coração sofreu em todos esses anos. Nada, nenhuma palavra, nenhum olhar, nenhum carinho é suficiente para derreter este inverno em mim.

Olho para o mar tentando perder meus olhos em alguma imagem para ver se me acho, vejo as ondas se arrebentarem nas pedras deixando de existir e mesmo assim continuando mar. O que eu preciso não é da sua volta, mas de um Recife para me arrebentar, deixarei de ser para ser mar.


Um texto escrito em dupla - Eder Ribeiro e Paula Barros.

Um convite feito por ele, com tema  e edição dele. Adorei a experiência.
27.06.11








domingo, 26 de junho de 2011


Temos uma facilidade enorme de complicar o simples. E claro isso não é dito por mim, já deve ter sido dito por muitos, inclusive por quem complica o simples, feito eu.



O tema surgiu por causa da caixa de comentário de muitos blogs.Vamos começar a descomplicar as caixas de comentários. Tenho perdido vários comentários por causa da caixa de comentários. Além daquelas letrinhas que só atrapalham. Se o meu estiver assim favor me avisem.

(foto - Cemitério de Santo Amaro)

sábado, 25 de junho de 2011

Uma tarde no cemitério










24 de junho de 2011. Fotografando no Cemitério de Santo Amaro. Estou estudando sobre a morte, e decidi fazer algo que sempre tive vontade, fotografar em cemitérios. O cemitério de Santo Amaro tem muitos túmulos bonitos, com belíssimas obras de arte. E para meu espanto, minha filha e minha irmã que não me acompanham nos diversos passeios, me acomapanharam neste momento.

Túmulo do cantor Chico Science


sexta-feira, 24 de junho de 2011


Observo você brincar. Parece uma criança deslumbrada com o mundo de brinquedos, de jogos de encaixe, com as possibilidades de criar, montar e recriar, mudar as cores. Um mundo de fantasia.

Fico observando, e me faz sorrir. Gosto de me sentir bem, neste respirar brincadeiras e cores. Gosto de ficar aguardando as novas criações.

Lá fora, na vida real, baratas passeiam nas calçadas, ratos correm entre os sacos de lixo, pessoas dormem nas ruas, humanos matam humanos, famílias sofrem, a terra treme e se abre, o mar inunda lugares habitados......muitos morrem e sofrem.

Desliguei a televisão. Me desliguei do mundo. Passo dias sem saber deste mundo de violência. O céu continua a sorrir e a chorar. E eu também.

Mas neste mundo de fantasia, que abro todos os dias, encontro uma leveza, encontro cores. Encontro lugares que me fazem bem.  Gosto de observar você brincar....


14.04.2011





quarta-feira, 22 de junho de 2011



Lembro de você
Deve ser o cata-vento


Tenho me revisitado
E me encontrado nas linhas
Nas entrelinhas
Tenho sentido o pulsar das minhas emoções

Minhas palavras desfilam
Vestidas de fantasias
Com máscaras de metáforas
Sempre dançando em sentimentos

Elas para mim tem vida
A vida dos meus momentos
Identifico cada instante onde elas pularam de mim
Mesmo quando inventei histórias
Quando transformei gente em personagens
Ou quando pintei paisagens
Eu senti

Ah, como é bom me revisitar
Mergulhar de novo em mim
Respirar meu próprio ar
E sentir o pulsar das minhas palavras


terça-feira, 21 de junho de 2011




Calar...como me inquieta,
e na inquietude escrevo
Falo contigo
Falo comigo
Falo por mim

Não consigo nesse silêncio
Escutar tudo que diz a tua alma
Porque o silêncio faz borbulhas em mim
Sopra ventos antigos
Remove poeiras
Cai ciscos nos olhos

Não é lendo nas entrelinhas que irei te conhecer
Mas nelas tento me encontrar
Perdida embaixo das raízes que me formam
Olho, respiro, sinto o silêncio

O silêncio doído de quem também tem gritos presos
De quem queria apenas abrir-se
E voar pelo mundo

Nesse silêncio
Sinto o sangue fervendo
Descer pelos braços

E apenas, ao abrir a tua janela
Deixo-me sair de mim
E me derramo
Ora em lágrimas, Ora em inquietudes
Sempre em palavras
Desconexas ou não
Mas contidas de silêncios
De significados e significantes


15.08.2009

segunda-feira, 20 de junho de 2011



O dia amanheceu, porque é hora dele amanhecer. Ele não me parece de bem com a vida, faz horas que o céu chora. Está com os olhos de sol nublado. Está mudo. Só as lágrimas de chuva batem na janela.

Interessante, o dia amanhece mesmo com chuva. E o céu fica claro mesmo com chuva. É um claro que não é azul, não tem sol, mas tem luminosidade, uma luminosidade cinza claro.

Mesmo que eu não pense em pensar em você eu penso. Coloquei um ponto numa das frases acima. Tirei a vírgula e coloquei um ponto, separando as frases. A frase ficou pequena. E lembrei de você. Frase pequena me lembra você. Coloquei um ponto, e não era um ponto final. Ainda não. Mas separava, dava uma pausa, a frase dizia: Está mudo.

Coincidência pensar em você. Frase pequena. Ponto. A frase diz: Está mudo. Sim, você está mudo. Outro ponto, outra pausa, mas não é um ponto final. E eu nem pensava em você, eu apenas falava do dia que está amanhecendo, chovendo, cinza claro.



domingo, 19 de junho de 2011



Sei lá, está ficando tudo tão sem graça. Chego em casa o dia está amanhecendo, e chove. Procuro sua pele entre os toques dos meus dedos, o seu cheiro na ponta do meu nariz, o sabor dos seus lábios nos meus,e não encontro.

Sei lá, está ficando tudo tão sem graça. As palavras já não encontram eco. Os meus pensamentos se dissolvem feito algodão doce no vento. O meu coração está frio e sem pulsação.

Sei lá, está ficando tudo tão sem graça. Já não lhe encontro nas ilusões. As fantasias estão perdendo o brilho das lantejoulas. Os sonhos estão com recheio sem gosto. A vida está feito um dia amanhecendo com chuva.

quinta-feira, 16 de junho de 2011



Bebia-te em goles
Pequenos, com prudência
Me entorpecia o suficiente
Para andar tropeçando em estrelas
No chão dos meus dias

Passei a sentir a necessidade
De beber-te em goles largos
Fiquei embriagada de belezas
Me senti tonta, enebriada

De tanto beber-te, sorver todas as gotas
Vampirizei o teu sangue, a tua emoção
Tropecei em nuvens de sentimentos
Cai dos céus estalada em sóis ferventes

Fiquei viciada no melhor de ti
Sentia falta do ar que respiravas
Das naturezas que vivias
Das borbulhas do teu sangue quente

Tornei-me ébria de ti
Sofri de abstinência dos teus tintos sentimentos
O tempo pisava em minhas ânsias
Me trazia alentos

Atenta a teu caminhar
Esperei dançando em luas minguantes
O pulsar do sangue se configurava nos silêncios
Se transfigurava nas dores, pulsava inverso

O tempo, sapateando em novo tempo
Me devolves em nova embalagem
Vou beber-te diretamente na veia
Num outro leito de belezas infindas
Com receio de tornar-me de novo
Viciada em ti





domingo, 12 de junho de 2011




Era domingo
Estava um céu bem azul
Tinha barcos a vela no mar
O sol iluminava o dia

Você me devolveu o meu sorriso
E o gosto doce das minhas lágrimas

Era domingo
Um cheiro bom de carinho
Fervia em meu peito

Você me devolveu minha emoção
E o borbulhar do meu sangue nas veias

Era domingo
Não tinha guerra, nem tristeza no mundo
Só o som da poesia embalava meus sonhos

Você me devolveu a mim
Compartilhando comigo
Um pouco de você



quarta-feira, 8 de junho de 2011

A andarilha no túnel do tempo



A leitura vai entrando através de imagens, formando um filme super 8 na mente. Vai rebobinando de mim, junto com as palavras, a minha vida. Vai me puxando de um passando muitas vezes distante.

Algumas vezes, depois de caminhar colhendo palavras, me encontro cantarolando uma música da minha infância. Passarás, passarás a bandeira é de ficar, se não for o dá frente, há de ser o de detrás.....Sorrio. Sinal que pensava no que você escrevia. Sempre que degusto seus pensamentos poéticos fica um resíduo em minha mente. E me entorna por soluços algo do meu esquecido passado. O passarás serviu até de reflexão. Se não fosse aquele amor, que eu quero, sempre vem um atrás. E continuo brincando, pois na brincadeira éramos enlaçados pelos braços. Agora, sou fantasticamente enlaçada por misteriosos sentimentos produzidos pelas suas palavras. Que me parecem tecidas de suor, lembranças, lágrimas, dores, alegrias vividas e não vividas....conjeturas que faço. Suas palavras entram em mim feito aquele remédio vermelho aplicado no músculo, descola a pele, rasga.

Em outro momento, me vi adolescente olhando pela janela, horas a fio, observando o céu, as estrelas, em busca de uma nave espacial. Penso até que queria ser abduzida por algum extra-terrestre. Conhecer outras galáxias. E assim muitas vezes vi amanhecer o dia. Alguns extra-terrestre apareceram em minha vida, quase me abduziram de mim, mas descobri que sou a nave, e quem desbrava céus e mares sou eu. Mesmo quando me falta coragem para acender as luzes e ficar a piscar.

Ah, suas palavras. Sem definição. Uma nave espacial, que me faz viajar por dentro de mim. Acendendo luzes, me trazendo o passado.


(Um texto antigo 24.03.2009)